Caso Dee Dee e Gypsy: a garota que era refém de doenças criadas pela própria mãe

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Dee Dee Blanchard e sua filha Gypsy Rose pareciam pessoas normais para a vizinhança de West Volunteer Way, em Springfield, Missouri, Estados Unidos. Dee Dee era uma mãe modelo: sozinha e desempregada, ela dedicava todo o seu tempo em cuidar de sua filha gravemente doente. Mas depois que foi morta, descobriu-se que as coisas não eram como pareciam.

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Foto: Reprodução

Quando perguntada sobre o diagnóstico de Gypsy, a mãe listava uma série de problemas: distrofia muscular, asma, epilepsia, apneia do sono, problemas de visão e outros mais. Sempre assim, desde que a filha era um bebê. Ela teria passado um tempo na terapia intensiva neonatal. Também tivera leucemia quando era criança. Até mesmo foi submetida a intervenções cirúrgicas.

A menina teve que ser educada em casa, porque não seria capaz de acompanhar outras crianças na escola. Gypsy tinha voz, jeitos e gostos infantis. Dee Dee sempre se esforçava para lembrar às pessoas que a filha tinha a mente de uma criança de 7 anos.

A superproteção de Dee Dee fez com que a garota se tornasse totalmente dependente dela durante toda a infância e a adolescência. A casa das duas era toda pensada para atender às necessidades de Gypsy, que andava sobre uma cadeira de rodas. Para os vizinhos, elas pareciam ter uma boa relação e serem felizes.

Mas, tudo mudou em 14 de junho de 2015. Uma mensagem misteriosa foi publicada na conta do Facebook que mãe e filha tinham juntas. “Aquela v*dia está morta”, dizia o post.

Mentira e assassinato

Os primeiros comentários na publicação estranhavam as palavras grosseiras. As pessoas suspeitavam que a conta havia sido hackeada. Pouco tempo depois, outra mensagem foi publicada pelo mesmo perfil. O conteúdo dizia que Dee Dee estava morta e que Gypsy tinha sido estuprada.

A polícia logo foi acionada. Dee Dee foi encontrada esfaqueada em seu quarto. Não havia sinais de roubo ou qualquer luta. A filha estava desaparecida.

Uma amiga de Gypsy, Aleah Woodmansee, procurou as autoridades para ajudar nas investigações. Ela sabia de algumas coisas que poderiam ser úteis para ajudar a desvendar o caso. Segundo Aleah, a amiga tinha um namorado secreto, que havia conhecido por meio de um site de namoro cristão.

As duas conversavam por meio de mensagens em uma conta secreta no Facebook. Gypsy usava um nome falso de Emma Rose, porque dizia que, como sua mãe era super protetora, não gostava que ela falasse sobre assuntos como homens e namoro.

O nome do namorado era Nicholas Godejohn, de 24 anos, e ele morava na cidade de Big Bend, em Wisconsin. O casal já conversava há dois anos. Um dia depois do assassinato, a polícia foi até a casa do rapaz. Gypsy estava do lado dele, mas sem a cadeira de rodas; ela nunca precisou de uma.

Seus remédios e o tanque de oxigênio também não estavam no ambiente. Os cabelos estavam curtos e espetados, mas ela não era careca – sua cabeça tinha sido simplesmente raspada, durante toda a vida, para fazê-la parecer doente. Gypsy falava bem, embora abalada pelos acontecimentos recentes.

Foi tudo uma fraude

O pai de Gypsy, Rod Blanchard, disse às autoridades que a menina nasceu saudável. Mas, quando ela tinha três meses de idade, a mãe se convenceu de que seu bebê tinha apneia do sono e que parava de respirar durante a noite. Isso foi só o começo.

A mãe sempre encontrava algo de errado com Gypsy. O número de problemas de saúde que ela mesma diagnosticava na filha só aumentava. Rod e Dee Dee acabaram se separando, e ele se casou de novo depois. O pai recebia notícias com frequência da menina, mas, para as pessoas, a ex-mulher dizia que ele era um viciado em drogas que havia abandonado a criança.

Em 2005, Dee Dee e Gypsy moravam em Slidell, quando tiveram sua casa atingida pelo Furacão Katrina. A história de uma mãe e uma filha com deficiência que ficaram sem nada comoveu a imprensa local. Assim, passaram a receber ajuda do governo e de instituições de caridade. Elas receberam até viagens gratuitas para a Disney World.

Os médicos suspeitaram que Dee Dee tinha síndrome de Münchausen por procuração: uma doença que faz com que a pessoa finja sintomas físicos e psicológicos para obter atenção e simpatia. No entanto, o diagnóstico nunca foi confirmado, porque ela já estava morta.

O crime

Foto: Reprodução

Gypsy e o namorado planejaram o assassinato. Os promotores encontraram evidências na rede social da menina pedindo diretamente a Godejohn para matar sua mãe. Documentos da descoberta pré-julgamento mostram ele contando a um amigo sobre o desejo da amada de assassinar Dee Dee já em 2014.

Gypsy e Nicholas Godejohn foram acusados ​​de assassinato em primeiro grau. Ela foi condenada à pena mínima a um homicídio nos Estados Unidos: 10 anos. Atualmente, a jovem cumpre a pena em um presídio americano e poderá pedir por liberdade em 2023. Nessa altura, ela terá 32 anos.

“Eu acho que ela teria sido a mãe perfeita para alguém realmente doente. Mas eu não sou doente. Há uma grande, grande diferença”, afirma Gypsy.

Fonte: Buzzfeed

O caso de Gypsy e Dee Dee virou uma série no serviço de streaming Hulu. The Act tem uma temporada e estrela Patricia Arquette e Joey King nos papéis de Dee Dee Blanchard e Gypsy Rose, respectivamente.

Agora, nos conte: você já conhecia esta história? O que você faria se estivesse no lugar de Gypsy?

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