Além do Eduardo Leite: outros políticos LGBTQIA+ no Brasil

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Na última semana, um dos assuntos mais comentados no Brasil foi a entrevista do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), para o programa Conversa com Bial, da TV Globo. Durante o bate-papo com o apresentador Pedro Bial, o político declarou pela primeira vez, publicamente, que é gay.

Foto: Reprodução/TV Globo

“Eu sou gay, eu sou gay e sou um governador gay. Não sou um gay governador, tanto quanto Obama nos EUA não foi um negro presidente. Foi um presidente negro. E tenho orgulho disso. Não trouxe esse assunto, mas nunca neguei ser quem eu sou. Nunca criei um personagem”, afirmou Leite.

Com a revelação, Eduardo Leite se tornou o primeiro governador na história do nosso país a se assumir homossexual. Mesmo hoje, em 2021, isso ainda é raro no universo da política. Por isso, resolvemos listar alguns políticos LGBTQIA+ que enfrentaram o preconceito e impulsionaram os debates sobre representatividade no Brasil.

Fátima Bezerra

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Depois de Eduardo Leite se afirmar homossexual no Conversa com Bial, muita gente passou a especular sobre a sexualidade de vários políticos. Entre eles, está a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT). Depois de ser lembrada, Fátima resolveu falar sobre o assunto.

Jean Wyllys

Foto: Reprodução/Agência Brasil

Antes de renunciar ao seu terceiro mandado, Jean Wyllys, que agora é filiado ao PT, era um dos representantes da comunidade LGBTQIA+ na Câmara dos Deputados. Durante seus dois mandatos, ele participou de 11 ações parlamentares, na maioria das vezes na temática de defesa dos direitos dos LGBTs.

Em 2005, Jean Wyllys se tornou uma figura de projeção nacional ao participar da quinta edição do Big Brother Brasil. Na época, a sua vitória no programa já foi um grande passo na representatividade LGBTQIA+: ele foi o primeiro homossexual assumido a ganhar o prêmio de um milhão de reais.

A partir de 2010, Wyllys foi eleito por três vezes consecutivas para o cargo de deputado federal pelo PSOL. Ele se tornou o primeiro parlamentar assumidamente gay a encampar a agenda LGBT no Congresso Nacional. Por isso, se tornou alvos constantes de grupos religiosos e conservadores.

Clodovil Hernandes

Foto: Reprodução

Morto em 2009, o estilista e apresentador Clodovil Hernandes era deputado federal pelo PR-SP. Durante as eleições de 2006, Clodovil teve quase 494 mil votos, sendo o terceiro mais votado no estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Pela primeira vez, um homossexual assumido ingressava na Câmara dos Deputados.

Nos seus dois anos e quase três meses de mandato, Clodovil ficou conhecido pelo seu conservadorismo. Mesmo gay, não poupava críticas ao movimento LGBTQIA+. Um dos seus alvos, inclusive, foi a parada do orgulho, que reúne milhões de pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo. Além disso, ele era contra o casamento homoafetivo, embora tenha criado um projeto de lei que permitisse a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Fabiano Contarato

Foto: Reprodução/Agência Senado

Fabiano Contarato (Rede-ES) é o primeiro senador assumidamente gay no Brasil. Em sua primeira disputa a um cargo eletivo, em 2018, o ex-delegado e ex-professor de direito penal conseguiu desbancar políticos tradicionais do Espírito Santo e foi eleito com 1,1 milhão de votos. Contarato é casado, tem um filho e é defensor do casamento LGBTQIA+.

Marielle Franco

Foto: Bernardo Guerreiro/Divulgação

A vereadora do PSOL no Rio de Janeiro, Marielle Franco foi assassinada no dia 14 de março de 2018. Sua morte ainda permanece sem solução, mas a ativista deixou um legado que dá frutos até hoje. Ela era assumidamente bissexual, casada com uma mulher e tinha uma filha de outro casamento.

Durante seu mandato, como forte defensora dos direitos humanos, Marielle assumia, entre outras coisas, o debate sobre os direitos da população LGBTQIA+, além de abordar questões sobre feminismo e racismo.

Entre as suas propostas na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, estava a inclusão do “Dia da luta contra a homofobia, lesbofobia, bifobia e transfobia” no calendário oficial da cidade. A data, 17 de maio, foi escolhida por ter sido o dia em que a homossexualidade foi excluída da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1992.

Erika Hilton

Foto: Reprodução/Insta

Erika Hilton (PSOL-SP) é a primeira mulher trans a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo. Em 2020, ela foi a candidata feminina mais votada no município e a sexta no ranking geral. Erika, que é ativista dos direitos da população negra e LGBTQIA+, é presidente da Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Vereadores.

Vale lembrar que além de Erika Hilton, São Paulo tem outros três parlamentares trans também na Câmara Municipal: Thammy Miranda (PL), Carolina Iara (parte da candidatura coletiva Bancada Feminista, do PSOL) e Samara Sosthenes (parte da candidatura coletiva Quilombo Periférico, também do PSOL).

Thammy Miranda

Foto: Reprodução

Thammy Miranda (PL-SP), filho da cantora Gretchen, foi eleito vereador em São Paulo no ano passado. Thammy, que foi o nono candidato mais votado na cidade, é o primeiro homens trans na Câmara Municipal.

Recentemente, o Legislativo aprovou em segundo turno o fornecimento de absorventes a estudantes da rede municipal. E Thammy e Erika Hilton apresentaram um proposta que cobrava a inclusão de gêneros no projeto.

“Homens trans fazem uso de hormônio, e quando a gente faz uso de hormônio, não menstruamos mais. Mas ainda existe esse pequeno nicho, que a gente precisa pensar nele e representá-lo de alguma forma, porque (os homens trans) precisam comprar os absorventes e têm o direito”, afirmou o vereador.

David Miranda

Foto: Reprodução/Facebook

Nas eleições de 2018, David Miranda (PSOL-RJ) decidiu disputar uma cadeira no Congresso Nacional e recebeu 17.356 votos, tornando-se o primeiro suplente da bancada do seu partido. Assim, ele assumiu a cadeira de Jean Wyllys na Câmara, depois da renúncia em 2019.

A substituição foi comemorada por David em suas redes sociais, no que parece ser uma (in)direta ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido): “Respeite o Jean, Jair, e segura sua empolgação. Sai um LGBT, mas entra outro, e que vem do Jacarezinho. Outro que em 2 anos aprovou mais projetos que você em 28. Nos vemos em Brasília”.

Assim como seu antecessor, David Miranda é o único deputado federal assumidamente gay em atividade. Sua prioridade enquanto parlamentar era aprovar um projeto de lei de criminalização da homofobia, que foi aprovada pelo STF em 2019. Vale lembrar que ele é casado com o jornalista Glenn Greenwald, com quem tem dois filhos.

Erica Malunguinho

Foto: Comunicação/Alesp

Erica Malunguinho (PSOL-SP) é a primeira deputada transexual do nosso país. Ela ocupa uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo. Perto de completar três anos de mandato, Erica levanta debates em defesa dos direitos da população negra e da comunidade LGBTQIA+.

Mais recentemente, a deputada estadual disse que vai construir um projeto de lei para promover a empregabilidade de pessoas trans. Além disso, ela também tem atuado contra a PL 504/2020, proposta que quer proibir a publicidade com pessoas LGBTQIA+ e casais homoafetivos.

Douglas Garcia

Foto: Divulgação/Alesp

O deputado estadual Douglas Garcia, que agora é filiado ao PTB, é outro político assumidamente gay que integra o movimento conservador. Garcia se declarou homossexual em 2019, após declarações transfóbicas contra a também deputada Erica Malunguinho (PSOL-SP).

O político, conhecido por suas polêmicas, foi expulso de seu antigo partido, PSL, por suposta disseminação de fake news e ataques a instituições democráticas, como o Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo mesmo motivo, no ano passado, ele foi suspenso da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo por 12 meses.

Edgar de Souza

Foto: Reprodução/Instagram

Edgar de Souza é ex-prefeito da cidade de Lins, no Estado de São Paulo. Ele é o primeiro chefe do Executivo assumidamente gay no Brasil. Souza foi eleito em 2012 e conquistou a reeleição no ano de 2016 pelo PSDB.

Em 2020, o político teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele e o vice, Carlos Alberto Daher (PSDB), foram acusados pela doação de imóveis a eleitores em ano eleitoral, omissão de despesas pessoais na prestação de contas e realização de propaganda institucional durante o período vedado. No entanto, a decisão do STE se deu apenas pelo último motivo.

Fontes: Época, Revista Exame, Câmara Municipal de São Paulo, Carta Capital, Correio Braziliense, Revista QG, Estado de Minas, El País, Revista Marie Claire e G1.

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