Assassinato e mistério: O Castelinho da Rua Apa

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Nós não precisamos ir muito longe para encontrar lugares considerados mal assombrados. Aqui no Brasil, mais precisamente na cidade de São Paulo, uma casa na esquina da famosa Avenida São João foi palco de um terrível assassinato e de muitos mistérios em torno dele. Nesta matéria, você vai conhecer o passado sombrio do Castelinho da Rua Apa…

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Foto: Wikimedia Commons

O que, afinal, aconteceu?

O Castelinho da Rua Apa é uma das construções mais emblemáticas da cidade de São Paulo. O local destoa dos edifícios da região não só pela sua arquitetura em estilo francês, mas também pela história macabra que o acompanha.

Quando foi inaugurada, no início do século passado, a construção era um dos imóveis mais luxuosos da região. No entanto, após ser palco de uma tragédia familiar, com o passar dos anos, foi abandonado. Mas o que, afinal, aconteceu?

Os habitantes da suntuosa residência eram donos do Broadway, um cinema localizado na própria Avenida São João, no centro de São Paulo. A socialite Maria Cândida Guimarães dos Reis, de 73 anos, era a matriarca da família, desde que perdera o marido, o médico Virgílio César dos Reis, pouco antes do crime.

Na noite do dia 12 de maio de 1937, Maria Cândida Guimarães dos Reis e seus dois filhos, Álvaro Guimarães Reis, de 45 anos, e Armando Guimarães Reis, de 43 anos, foram encontrados mortos ao lado de uma pistola automática Parabellum calibre 9.

Maria Cândida (primeira à esq.) e os irmãos Álvaro (no centro) e Armando (segundo à dir.)

Versão da polícia

Até hoje, o crime não foi totalmente esclarecido. A versão divulgada pela polícia, na época, é de que os dois irmãos teriam discutido e se exaltaram. A mãe teria ido apartar a briga, e esse teria sido o motivo do estopim.

Segundo a versão oficial, Álvaro teria atirado na mãe e no irmão e, depois, se suicidado com dois tiros no peito. O motivo seria a divergência entre os dois irmãos sobre o futuro do Broadway. O irmão mais velho queria fechar o cinema para instalar um ringue de patinação. Já Armando, responsável pelas finanças da família, negava, alegando que isso não traria bons retornos financeiros como o Broadway.

Porém, algumas provas e circunstâncias levaram muitos a acreditar que não foi bem assim…

Contradições

Leda Kiehl, sobrinha-neta de Maria Cândida, escreveu um livro sobre o tema, intitulado “O Crime do Castelinho: Mitos e Verdades, de 2015”. Nele, a autora conta que houve uma contestação enorme, na época, sobre a versão das autoridades.

Os médicos-legistas, responsáveis pelo caso, discordam da polícia. A pistola de Álvaro foi encontrada na cena e, para os policiais, foi o fator incriminante. Contudo, o método de seu suicídio já era incomum o suficiente, e os legistas ainda encontraram vestígios de pólvora nas mãos de Armando, o que indica que ele tenha sido o autor do crime.

Outra hipótese é a de que a mãe teria sido assassinada com quatro tiros, e não três, como constava no laudo policial. Duas das balas que a atingiram seriam de uma arma de calibre diferente da pistola de Álvaro, o que indicaria a presença de uma quarta pessoa e tornaria o crime uma chacina encomendada.

Mal-assombrado

Castelinho da Rua Apa foi restaurado em 2017. Foto: Reprdução

Depois da chacina, o imóvel virou alvo de uma longa disputa judicial entre os parentes da família, até virar patrimônio público. Nesse meio tempo, ele ganhou a fama de mal-assombrado. Algumas pessoas que passam pela região podem jurar que já viram vultos e ouviram passos, choros e lamentações dos espíritos dos mortos no lugar.

Em 1996, o espaço foi cedido para a ONG Clube de Mães do Brasil, que administra o local até hoje. Em 2004, o Castelinho da Rua Apa foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da cidade de São Paulo e declarado Patrimônio Histórico e Cultural.

Em 2017, após quase 50 anos abandonado, o Castelinho foi reaberto. Lá, a ONG promove atividades de cunho social, educacional e cultural para crianças, moradores em situação de rua, dependentes químicos e catadores de papel da região.

Fonte: Aventuras na História, VEJA São Paulo e G1

E aí? Você já conhecia o Castelinho da Rua Apa? O que acha das contradições em torno da tragédia familiar?

 

 

 

 

 

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