Como o horário de verão ajudava a economizar energia elétrica?

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O Brasil enfrenta uma crise hídrica que está ameaçando o fornecimento de energia elétrica em todo o país. Por isso, o Governo Federal está estudando medidas para que a população consuma menos energia durante o horário de pico. Essa proposta, no entanto, é muito parecida com o objetivo do extinto horário de verão…

Revogado pelo presidente Jair Bolsonaro em 2019, o horário de verão previa a redução do consumo de energia elétrica, a partir do melhor aproveitamento da luz natural do Sol. Por isso, em algumas regiões, os relógios eram adiantados em uma hora. Nesta matéria, você vai entender melhor como essa medida funcionava!

Horário brasileiro de verão

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Foto: Reprodução/Agência Brasil

No Brasil, o horário de verão foi instituído em 1931, pelo então presidente, Getúlio Vargas. Na época, ele tinha abrangência em todo o território nacional, a afim de reduzir o consumo de energia elétrica durante o horário de pico, isto é, entre as 18 e as 21 horas.

Em 1967, no entanto, não houve o adiantamento dos relógios, e o horário de verão só voltou a ser implementado novamente em 1985. Na ocasião, o país também enfrentava baixo nível de água nos reservatórios das principais hidrelétricas.

A partir daí, a prática foi adotada anualmente, sem interrupções. Assim, a hora era ajustada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mais precisamente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

Por qual motivo o horário de verão só era adotado por alguns estados?

O horário de verão funciona especialmente para as regiões mais distantes da linha do Equador — motivo pelo qual era adotado apenas nos estados mais ao sul do Brasil. Nesses lugares, há uma diferença mais significativa na luminosidade do dia entre o Verão e o Inverno. Nos Estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, os dias de verão são mais longos que no Norte e Nordeste.

Quando começava e acabava o horário de verão?

Em 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, aprovou um decreto que instituía o horário de verão a partir da zero hora do terceiro domingo do mês de outubro até a zero hora do terceiro domingo do mês de fevereiro do ano subsequente.

O argumento era o aumento na demanda de energia, ocasionado pelo calor e pelo crescimento da produção industrial às vésperas do Natal. O segundo motivo era que, nesse período, os dias têm maior duração por causa da posição da Terra em relação ao Sol (solstício de verão), e a luminosidade poderia ser mais bem aproveitada.

Vantagens

Usina Hidrelétrica de Itaipu, localizada no Rio Paraná. Foto: Alan Santos/PR

O adiantamento dos ponteiros do relógio em uma hora provocava, em média, uma redução de 4% a 5% no consumo de energia, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Além disso, ele poupava o país de sofrer uma sobrecarga na rede durante a estação mais quente do ano, quando o uso de eletricidade para refrigeração, condicionamento de ar e ventilação atinge seu ponto máximo.

No entanto…

Estudos apontavam que o horário de verão vinha apresentando resultados menores desde 2013, quando foram poupados R$ 405 milhões. Segundo o ONS, essa queda tinha a ver com uma mudança no perfil e na composição da carga elétrica no país.

Essa mudança se deve, por exemplo, ao uso de aparelhos de ar-condicionado ligados nos horários mais quentes do dia, que costumam ser durante a tarde, quando ainda há luz natural do Sol. Além disso, a substituição de lâmpadas incandescentes por modelos mais econômicos também reduziu o gasto de energia com iluminação.

Revogação

Em abril de 2019, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que extinguia o horário de verão no território nacional. “Como nos últimos anos houve mudanças no hábito de consumo de energia da população, deslocando o maior consumo diário de energia para o período da tarde, o Horário de Verão deixou de produzir os resultados para os quais essa política pública foi formulada, perdendo sua razão de ser aplicado sob o ponto de vista do setor elétrico”, informou o Governo Federal.

Emergência hídrica

Falta de chuvas prejudica nível de água nas usinas. Foto: Alexandre Marchetti/Divulgação

Neste mês, o Governo Federal decretou emergência hídrica no Brasil. Alguns estados brasileiros, onde se situam as principais hidrelétricas do país, sofrem com a pior seca nos últimos 91 anos. Por isso, a população enfrenta, mais uma vez, o risco de racionamento de energia e de apagões elétricos, além de contas de luz cada vez mais caras.

Assim, o governo quer lançar um plano para estimular o consumo de energia fora do horário de pico. Diante da crise hídrica, as autoridades estudam campanhas de uso racional de energia elétrica e água. A ideia é oferecer algum incentivo na conta de luz, como descontos na tarifa ou créditos futuros.

Em paralelo, o Ministério de Minas e Energia prepara uma medida provisória que deve ampliar seus poderes na gestão dos recursos hídricos do país. A proposta cria uma Câmara de Regras Operacionais Excepcionais para Usinas Hidrelétricas (CARE), com o objetivo de estabelecer limites de armazenamento e vazão desses empreendimentos.

O grupo poderá prever, inclusive, o estabelecimento de um programa prioritário de termeletricidade e outro de racionalização compulsória do consumo de energia elétrica. A MP tem efeito imediato, mas ainda deve passar por votação no Congresso Nacional.

Enquanto isso…

Algumas das ações que já vêm sendo adotadas pelo governo de Jair Bolsonaro já incluem o controle da vazão nas represas, além da importação de energia do Uruguai e da Argentina e, principalmente, o acionamento de todas as usinas termelétricas disponíveis.

Essas usinas independem de condições climáticas para operar. No entanto, poluem mais o meio ambiente e são bem mais caras. O valor já pode ser sentido no bolso do consumidor, com o aumento nos valores das bandeiras tarifárias.

Fonte: Agência Brasil, UOL, Governo Federal e TV Globo

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