Concurso brasileiro fez com que as pessoas se beijassem por 62 dias durante a década de 1990

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O que era para ser apenas uma jogada de marketing acabou se tornando um dos fatos mais excêntricos da história brasileira durante a década de 1990. Um concurso lançado pelo Shopping Miramar, em Santos, no litoral de São Paulo, fez com que as pessoas passassem 62 dias se beijando.

Foto: Reprodução/Memória Santista

A proposta era atrair a atenção dos consumidores por meio de uma promoção que tinha por objetivo o aquecimento das vendas no Dia dos Namorados, em 12 de junho de 1993. Cinquenta e um casais (improvisados ou não) se inscreveram para participar da batalha de beijoqueiros. O prêmio? Um Gol 1000, zero quilômetro, avaliado em 342 milhões de cruzeiros.

Os organizadores queriam entrar para o Guiness Book, o livro dos recordes. A marca de beijo mais longo da história até então pertencia a um casal norte-americano, que manteve a boca colada por 17 dias. No entanto, os representantes do Guiness não enviaram um fiscal a Santos, e a ação aconteceu sem ser auditada.

O amor está no ar?

A regra era simples. Os casais deveriam ficar se beijando das 10 às 22 horas, com direito a um intervalo de uma hora para o almoço e dois de cinco minutos para idas ao banheiro. Se quisessem dizer alguma coisa, deveriam falar com o canto da boca.

Os principais desafios seriam, sobretudo, o cansaço e o estresse mental. Uma equipe de médicos e fisioterapeutas ficou à disposição dos concorrentes caso acontecesse alguma coisa. Não era incomum testemunhar a pressão arterial dos participantes sendo aferida em pleno exercício do beijo.

Quem passava e avistava a cena, também ficava chocado com a falta de romantismo. Para aliviar a tensão e se manter distraído, tinha quem optava por jogar jogos eletrônicos enquanto mantinha a boca colada nos lábios do parceiro.

Foto: Folha de S. Paulo/Reprodução/Memória Santista

Estrategistas de plantão

Enquanto o concurso rolava, valia qualquer coisa para se manter na competição. Assim, alguns casais começaram a elaborar estratégias inusitadas.

Foi o caso da dupla formada por Rita Oliveira, de 20 anos, e Robson Quintella, de 21. Com quase 40 centímetros de diferença de altura, os dois fizeram uso de um banquinho para ficarem do mesmo tamanho. Contudo, eles foram desclassificados depois com o endurecimento das regras.

Já Beatriz Panzoni, de 31 anos, e seu companheiro, Jair Santos, de 30, combinaram que, se desse vontade, por exemplo, de espirrar, o plano era avisar antecipadamente o parceiro que, por sua vez, morderia o lábio do outro a fim de evitar o desgrude no momento da “tragédia”.

Espetáculo

Foto: Reprodução/Memória Santista

O público se aglomerava para acompanhar o “espetáculo” com os próprios olhos. Além do cansaço físico e mental, os participantes também eram alvo de zombaria e provocações dos espectadores. “Me sinto num zoológico, com tanta gente olhando pra nós”, disse Maria Nilce Ribeiro, a competidora mais velha da maratona, com 39 anos.

O evento também chamava a atenção da mídia. Um dos principais jornais da baixada santista, A Tribuna, recebia diariamente cartas e telefonemas de leitores revoltados com o que chamavam de “exploração da miséria humana”.

A maratona até virou pauta na Câmara Municipal de Santos. O então vereador Noé de Carvalho, um dos maiores opositores do concurso, chegou a considerá-lo um atentado violento ao pudor.

Apesar das censuras, a promoção foi um sucesso para o Shopping Miramar. Só a Mesbla, uma de suas lojas, faturou 900 mil dólares a mais naquele mês.

Ânimos à flor da pele

Foto: Reprodução/Memória Santista

As coisas ficaram ainda mais complicadas quando a organização decidiu reduzir os horários de pausa para comida e banheiro após 25 dias de concurso. Com as novas regras, mais casais iam desistindo. A partir daí, a luta para se manter na competição se intensificou.

Passados 45 dias, oito duplas ainda resistiam à disputa. Revoltados com as mudanças no regulamento, os participantes que restaram ameaçaram fazer greve. Os promotores não titubearam: “Vamos fazer a contagem de 30 segundos. Quem não voltar, está desclassificado”. Pouco tempo depois, os oito casais voltaram a se beijar.

Por causa da demora da prova, as regras endureceram mais ainda. As jornadas diárias começariam às 7h30, com o Shopping ainda fechado, e terminariam às 2h30 da madrugada, quando as únicas testemunhas eram apenas os juízes. Tinha gente que até fazia xixi nas calças.

Com quase 2 meses de duração, em 9 de agosto, o beijo passaria ser 24 horas. Não haveria mais intervalos. A partir de agora, era tudo ou nada.

Os grandes vencedores

Foto: Reprodução/Memória Santista

Após 62 dias, 8 horas e 15 minutos de duração, a Maratona do Beijo chegou ao fim. Marcio José, de 20 anos, e Ivy Simões de Lima, de 19, foram os grandes vencedores após a desistência de Sandro Gemelgo, 20, e Neusa Ribeiro, 26.

Muita gente foi ver a entrega dos carros aos ganhadores. Os dois casais acabaram levando o tão desejado Gol 1000 para casa. O prêmio foi entregue pelo proprietário do Shopping Miramar, Armênio Mendes.

Fonte: Memória Santista

E aí? Conta pra gente: você já era nascido na época da Maratona do Beijo? Teria coragem de passar tanto tempo beijando na boca para ganhar um carro?

 

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