Conheça a ‘Porta do Inferno’, cratera que queima há 40 anos

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Você já ouviu falar sobre a ‘Porta do Inferno’? É assim que é conhecida a Cratera de Darvaza, localizada no deserto de Karakum, no Turcomenistão, uma ex-república soviética, na Ásia Central. Com 69 metros de largura e 30 metros de profundidade, do interior dela emana o gás natural que queima há 40 anos.

“Quando fui capaz de ver pela primeira vez e caminhar até a borda, e o vento desértico e quente vindo da cratera me atingiu no rosto, senti que aquele era o tipo de lugar de onde poderia sair o próprio Satanás, com tridente e tudo”, disse o explorador canadense George Kourounis, em entrevista à BBC.

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Foto: Getty Images/iStockphoto

Como surgiu?

Teoria mais difundida

A história mais difundida diz que, em 1971, vários geólogos soviéticos estavam perfurando o deserto de Karakum, com o objetivo de encontrar petróleo. Nisso, eles se depararam com uma reserva de gás natural que fez com que a terra desmoronasse, formando três grandes sumidouros.

Para evitar que gases perigosos fossem emanados na atmosfera, os geólogos teriam decidido atear fogo, pensando que o gás iria queimar rapidamente. Mas, um erro de cálculo fez com que as chamas continuassem por lá mesmo quatro décadas depois.

No entanto…

George Kourounis relatou à BBC que não há documentos que respaldem essa versão. Após sua primeira expedição à região, em 2013, e uma pesquisa local, ele descobriu que ninguém sabia realmente a origem. De acordo com geólogos turcomenos, a cratera se formou na década de 1960 e começou a queimar na década de 1980.

“Há inclusive controvérsia sobre se ela foi incendiada acidentalmente, como pela queda de um raio, ou se foi intencional”, disse Kourounis. Outra teoria sugere que pode ter sido aplicada a técnica de “flaring” – comum na extração de gás natural, em que os excedentes são queimados intencionalmente por economia e segurança.

Para o historiador Jeronim Perović, professor de História da Europa Oriental na Universidade de Zurique, na Suíça, o mistério da origem da ‘Porta do Inferno’ faz sentido. “É um reflexo de como as coisas funcionavam nos tempos soviéticos (…). Naquela época, só se relatavam os sucessos, não os fracassos”, afirmou à BBC.

Como a cratera estava em um deserto remoto, o impacto do ocorrido era mínimo. E como a União Soviética não tinha problemas de abastecimento de gás natural, já que produzia cerca de 700 bilhões de metros cúbicos por ano, é provável que queimá-lo tenha sido a alternativa mais prática, acredita o especialista.

Stefan Green, microbiólogo que participou da expedição de Kourounis, por sua vez, explicou que “liberar metano de maneira descontrolada é uma ideia muito ruim”, por isso há uma certa lógica em queimá-lo. Embora seja prejudicial gerar CO2 com a queima de gás, é muito mais nocivo liberar metano na atmosfera.

Ponto turístico

Foto: Getty Images/iStockphoto

Em um dado momento, o Turcomenistão chegou a considerar apagar o fogo. Mas as autoridades do país decidiram que ele era uma boa forma de promover o turismo na região. Até hoje, a ‘Porta do Inferno’ atrai visitantes de todo o mundo no deserto de Karakum.

A cratera se tornou uma das atrações turísticas mais populares em um país que recebe apenas cerca de 6 mil turistas por ano. Durante a noite, com a escuridão, a luminosidade do lugar ganha intensidade e fascina os aventureiros.

Fonte: BBC

E aí? Você já conhecia a ‘Porta do Inferno’? Ficou com vontade de visitar o local? Conta pra gente pelos comentários!

 

 

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