Conheça as cidades-fantasmas brasileiras

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Imagina caminhar pelas ruas de uma cidade e não ver quase ninguém, andar pelas avenidas e encontrar o comércio todo fechado, olhar para o lado e observar as construções vazias, com um aspecto sombrio… Não, não estamos falando sobre a quarentena. Nesta matéria, você vai conhecer as cidades-fantasmas brasileiras.

Existem algumas condições para que uma cidade seja considerada fantasma. Fim da atividade econômica, desastres naturais, inundações, secas prolongadas, acidentes nucleares e guerras podem ser uns dos motivos para que a população se disperse daquele local. Aqui no Brasil, alguns municípios “desapareceram”.

Se você curte histórias sobre cidades, confira também o nosso post sobre a Vila Kalachi, o “Vilarejo do Sono”, localizado no Cazaquistão. Nós também escrevemos sobre os castelos mais assombrados da Inglaterra.

Abaixo, você encontra a lista de algumas das cidades-fantasmas do nosso país:

Fordlândia – PA

Foto: Divulgação/Ford

Fordlândia era um município no Pará idealizado por Henry Ford – o fundador da marca de automóveis. A ideia dele era de que a cidade funcionasse como uma grande fazenda, cuja principal produção seria a de borracha para os pneus dos carros na década de 1920.

No entanto, a produção enfrentou grandes problemas desde o começo. As seringueiras, plantadas próximas demais uma das outras, foram vítimas de pragas agrícolas. O terreno também não era muito favorável para o plantio. Soma-se a isso a conjuntura econômica brasileira da época, que foi mudando, com a expansão da produção da borracha para o sudeste do país.

O choque cultural entre trabalhadores locais e estrangeiros eram constantes. Além disso, os funcionários ainda sucumbiam a doenças, como a febre amarela e a malária. A Ford tinha regras rígidas, com moradias e até alimentação em padrões americanos, que não agradaram em nada os brasileiros. Bebidas alcoólicas, mulheres, fumo e futebol eram proibidos em Fordlândia.

A última pá de terra veio na década de 1940, com a invenção da borracha sintética, produzida a partir do petróleo. O neto de Henry Ford, Henry Ford II, então, desistiu formalmente do projeto junto ao governo brasileiro. Muitos abandonaram o local. Fordlândia virou uma cidade-fantasma.

A estrutura construída para a empreitada ainda existe, mas o município virou um distrito da cidade de Aveiro. O último censo do IBGE, realizado em 2010, registrou no local 1,2 mil habitantes.

Ararapira – PR

Foto: Reprodução/YouTube

Ararapira tem uma origem antiga: ela faz parte das 20 vilas construídas no século XVIII pela Coroa Portuguesa no Brasil. A cidade funcionava como entreposto comercial, com o intuito de estabelecer rotas para o comércio marítimo. Por lá, passavam arroz, açúcar, farinha de mandioca, cana-de-açúcar e peixe seco de Paranaguá, no Paraná, com destino ao Rio de Janeiro.

Quando novas rotas para o transporte de mercadorias foram surgindo no interior do Brasil, Ararapira começou a entrar em declínio. Começava-se o grande êxodo da população. Hoje, a cidade se tornou um distrito do município de  Guaraqueçaba.

O que resta de memória de uma das mais importantes vilas da monarquia portuguesa é a Igreja, reerguida em 1776, e algumas casas. A maioria das construções foi tomada pelo mato ou sofreu processo natural de erosão e foi parar debaixo d’água.

Ararapira foi tombada pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade e pertence ao Patrimônio Natural e Histórico do Pa­­raná desde 1970.

São João Marcos – RJ

Foto: Divulgação

Em 1739, era fundada a cidade de São João Marcos, às margens da antiga Estrada Real, no Rio de Janeiro. Anos depois, no ciclo do café no Brasil, o município tinha no produto o principal sustento da economia. Com hospital, teatro, clubes e escolas, a população chegava a cerca de 10 mil pessoas.

Em 1938, São João Marcos chegou a ser tombada como patrimônio histórico-cultural. Mas, dois anos depois, durante o governo de Getúlio Vargas, a cidade teve que ser desapropriada para que a capacidade do reservatório de água e energia da então capital do país, Rio de Janeiro, fosse aumentada.

Com o passar dos anos, o volume de água foi diminuindo, e as ruínas de São João Marcos foram reveladas. Hoje, o município funciona como um grande parque arqueológico e ambiental, mantido pela concessionária Light, e busca reconectar a memória daquela que foi uma das cidades mais prósperas nos séculos passados.

Cococi – CE

Foto: Fortaleza em Fotos

Cococi foi fundada em 1708, no interior de uma grande fazenda da família Feitosa, no sertão do Ceará. O local chegou a ganhar o status de município em 1950, quando contava com 4 mil habitantes. A estiagem e um suposto desentendimento entre os Feitosa e o governo militar por causa das verbas destinadas à cidade são apontados como motivos da decadência de Cococi. Em 1979, ela foi rebaixada para distrito.

Em 2012, apenas sete pessoas de duas famílias ainda viviam por lá. A igreja é a única grande construção que ficou de pé. A maioria das casas foi tomada pela vegetação. Todo fim de ano, durante o novenário de Nossa Senhora, o distrito, que agora pertence ao município Parambu, recebe cerca de 300 pessoas na Igreja – o que faz mudar um pouco a cara do lugar.

Velho Airão – AM

Foto: Reprodução/TV Globo

Até o final de 2015, Velho Airão ou Airão Velho, no Amazonas, tinha apenas 1 único habitante. Dizem as lendas da cidade que alguns moradores foram comidos por formigas de fogo. A cidade-fantasma foi o primeiro povoado fundado pelos portugueses na região Norte do Brasil.

Como muitos locais da região, a economia de Velho Airão era baseada na produção de látex. No entanto, com o fim do ciclo da borracha no país, a cidade começou a entrar em decadência. Boa parte dos moradores se mudou para a capital do estado, Manaus, enquanto outros se mudaram para a Vila de Itapeaçu – que mudou de nome e virou Novo Airão.

Velho Airão ficou sem habitantes até 2001, quando um homem, Shigeru Nakayama, se mudou para lá e se recusou a sair. Nakayama virou o “guardião” da cidade. Ele dizia que se fosse embora, a história do lugar morreria. A cidade-fantasma foi tombada como patrimônio histórico-cultural e recebe visitantes do mundo inteiro.

Igatu – BA

Foto: Reprodução/IPHAM

Igatu é chamada de a “Machu Picchu baiana”. As ruínas até lembram a cidade perdida dos Incas no Peru. Há quem acredite que Igatu seja a cidade perdida, descoberta pelos bandeirantes e citada no enigmático e anônimo Manuscrito 512 – documento da época do Brasil colonial. Lendas dizem que é possível ver luzes vagando no topo da montanha e percorrendo as ruas. Quando entram nas casas das pessoas, as luzes seriam capazes de fazer com que elas desapareçam.

Durante o Ciclo do Diamante, no século XIX, a cidade localizada na Chapada Diamantina chegou a ter 6 mil habitantes e tinha como principal atividade econômica os garimpos. Com o declínio dos garimpeiros, Igatu foi abandonada e, hoje, conta com 380 moradores. O local é muito procurado por turistas que desejam se aventurar nas belas trilhas.

E, aí? Nos conte pelos comentários se você já conhecia algumas das cidades-fantasmas do Brasil. Ficou com vontade de visitar alguma?

 

 

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