Crimes reais: Maníaco do Parque, o terrível serial killer brasileiro

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Entre 1997 e 1998, uma onda de estupros e assassinatos assolava o Parque do Estado, na Zona Sul de São Paulo. O autor dos crimes era Francisco de Assis Pereira, mais conhecido como Maníaco do Parque, que se tornou um dos serial killers mais famosos do Brasil.

Ao todo, Francisco Pereira fez 23 vítimas, sendo 11 delas assassinadas. As outras foram roubadas e estupradas, mas conseguiram escapar da morte. Por causa dos crimes, o Maníaco do Parque foi condenado a mais de 280 anos de prisão em agosto de 1998 – mas pode pedir por liberdade em 2028, quando completa 30 anos na cadeia.

Nesta matéria, vamos relembrar essa história que ainda desperta curiosidade e terror na vida dos brasileiros…

Foto: Reprodução

Infância e juventude

Foto: Reprodução

Francisco de Assis Pereira nasceu no dia 29 de dezembro de 1967, em Guaraci, interior de São Paulo. Assim como muitos assassinos em série, Pereira passou por alguns traumas durante a infância e a juventude.

Segundo o psiquiatra Paulo Argarate Vasques, que fez o laudo oficial do assassino após a prisão, “uma das coisas que Francisco via na infância era um matadouro. E ele ficava lá sentado. Para uma pessoa nova, é um trauma terrível ver bois sendo mortos”.

Quando criança, ele também teria sido molestado por uma tia. Já adulto, foi abusado sexualmente por um de seus chefes. Depois disso, não conseguia ter relações sexuais normalmente devido a um problema no pênis.

Desde menino, Francisco era um patinador habilidoso e participava de grupos e campeonatos. Por questões financeiras, sua família costumava se mudar com frequência, e seu amor pelos patins era tanto que, quando a família estava em São Paulo e decidiu voltar para Guaraci, ele decidiu ficar na capital paulista pelas oportunidades.

Assim, costumava patinar pelo Parque do Ibirapuera, na região sul da cidade – onde, inclusive, fez algumas de suas vítimas. Lá, ele chegou a receber o apelido de “Chico Estrela”. Francisco até deu entrevistas para canais de esportes sobre seu talento como patinador.

Crimes do Maníaco do Parque

O Maníaco do Parque tinha 30 anos e trabalhava como motoboy quando cometeu seus primeiros crimes. Com fala mansa, conversa agradável e distribuindo elogios, Francisco atraía suas vítimas em estações de metrô e conseguia convencê-las a subir em sua garupa em direção ao Parque do Estado, na divisa entre São Paulo e Diadema.

As mulheres acreditavam que iriam participar de uma sessão de fotos para um catálogo de produtos de beleza de uma multinacional. A verdadeira faceta do assassino só era revelada ao chegar no interior da mata. Lá, ele humilhava, torturava, estuprava as moças e, às vezes, até mostrava para elas os cadáveres das vítimas anteriores.

Em seguida, Francisco Pereira as matava asfixiadas, usando cintos ou cadarços. Depois, ele ainda vilipendiava os corpos. De janeiro a agosto de 1998, as mulheres começaram a ser encontradas sem vida, uma a uma. Estavam ajoelhadas, em uma posição de reverência, e com sinais de violência sexual e marcas de mordidas.

As vítimas eram do sexo feminino, tinham entre 17 e 27 anos e todas possuíam cabelos escuros. Isso fez a polícia desconfiar que um serial killer pudesse estar à solta. Foi aí que a imprensa passou a chamá-lo de “Maníaco do Parque”. Ele então começou a ser procurado.

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Prisão

A Polícia Civil identificou que 23 mulheres haviam sofrido ataques naquele parque, dentre as quais 11 tinham sido mortas. Com base nos depoimentos das sobreviventes, um retrato falado foi elaborado, e logo, as investigações levaram ao motoboy Francisco de Assis Pereira.

Após as denúncias, ele foi preso em 4 de agosto de 1998 em Itaqui, no Rio Grande do Sul, onde estava escondido. De início, o Maníaco do Parque negou que tinha cometido os crimes. Depois, confessou os ataques. Admitiu ter matado nove mulheres, depois 11 e até mais, mas sempre negou tê-las estuprado – embora se saiba que ele também fez isso.

Ao seu primeiro advogado de defesa, Lineu Evaldo Engholm Cardoso, o criminoso confessou que se sentia excitado estrangulando suas vítimas. “Ele me disse, ele tinha prazer sexual vendo-as morrer na esganadura”, diz o homem que defendeu o Maníaco do Parque.

Nos julgamentos, realizados entre 2001 e 2002, Francisco foi condenado a 285 anos, 11 meses e dez dias por homicídios, estupros e roubos. Ele cumpre pena em Iaras, no interior de São Paulo e pode pedir por liberdade em 2028. Isso porque a Legislação Brasileira diz que a pena máxima de reclusão de um detento deve ser de, no máximo, 30 anos.

Mas para quem acusou Francisco pelos crimes e até mesmo para quem o defendeu à época, é certo que quando deixar a cadeia e ganhar a liberdade, ele pode voltar à vida do crime.

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Curiosidades sobre o Maníaco do Parque

Semi-imputável

O psiquiatra Paulo Argarate Vasques, que fez o laudo oficial do Maníaco do Parque, concluiu que Francisco é semi-imputável. Isso que dizer que o assassino tinha compreensão da gravidade do que fazia, mas não possuía controle sobre suas ações.

Em entrevista ao Fantástico, o motoboy havia dito que cometia os crimes após escutar ordens de uma ‘voz maligna’. “Uma coisa em mim. Uma vontade. Eu não sei que vontade. Era uma vontade, uma vontade de alguma coisa. Eu saía como se fosse para caçar alguma coisa”.

No entanto, nem essas declarações de Francisco e nem o laudo psiquiátrico que o apontava como semi-imputável e pedia sua internação para tratamento, convenceram a Justiça. Assim, ele foi condenado à prisão.

Falsa morte

Inicialmente, o Maníaco do Parque cumpria pena na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, no Vale do Paraíba, em São Paulo. Em 2000, a prisão enfrentou uma sangrenta rebelião. Na época, a mídia chegou a noticiar que Francisco de Assis Pereira teria sido morto durante o confronto.

Mas a vida de Pereira foi poupada por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola — considerado o líder do PCC (Primeiro Comando da Capital) — e Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra. Os dois não queriam que o assassinato do serial killer mudasse o foco do propósito da rebelião.

Ameaçado por Pedrinho Matador

Enquanto cumpria pena em Taubaté, o Maníaco do Parque foi ameaçado de morte por ninguém mais, ninguém menos do que Pedrinho Matador, considerado o maior “serial killer” do Brasil e que também cumpria pena no local.

Cartas de fãs

Após o ocorrido, Francisco de Assis Pereira foi transferido para outra unidade, passando por diversas prisões, até ser finalmente alocado na Penitenciária de Iaras. O local é conhecido por abrigar presos condenados por estupro ou ameaçados de morte.

Nos seus primeiros anos de prisão, o Maníaco do Parque recebia várias cartas de admiradoras. Na cadeia, ele até mesmo se casou com uma das mulheres que lhe escreviam. Não se sabe se eles ainda estão casados atualmente.

Que fim levou o Maníaco do Parque?

Funcionários da Penitenciária de Iaras contam que Francisco não tem amigos, prefere ficar isolado a maior parte do tempo e é bastante discreto. Ele também cultiva o hábito de ler a Bíblia Sagrada todos os dias e frequenta o culto evangélico ao menos uma vez por semana.

Segundo a coluna de Josmar Jozino, do UOL, o maníaco ainda passa seus longos dias dedicando-se ao artesanato. Antes da pandemia de COVID-19, ele até mesmo vendia bordados para os parentes dos colegas de pátio. Atualmente, Francisco de Assis Pereira tem 53 anos.

Fonte: Polícia Civil e G1

E aí? Você já se lembrava dessa história? Conta pra gente pelos comentários!

 

 

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