Crimes reais: Pogo, o palhaço assassino

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John Wayne Gacy parecia um vizinho exemplar. Ele era casado, pai de dois filhos, se tornou um empresário de sucesso e era membro do comitê local do Partido Democrata de Chicago, em Illinois, nos Estados Unidos. Um dia, para aumentar a sua popularidade, Gacy decidiu se transformar em um personagem: o palhaço Pogo. Mas, por baixo do disfarce, estava escondido um terrível assassino que viria a inspirar Stephen King a criar “It: A Coisa”.

Se interessa por histórias de crimes reais? Leia também sobre Delphine LaLaurie, a cruel socialite que torturava e assassinava escravos.

Foto: Reprodução

Infância e juventude de John Wayne Gacy

John Wayne Gacy nasceu em 17 de março de 1942, em Chicago. Desde pequeno, ele era muito apegado às suas duas irmãs mais velhas e à mãe. Isso enfurecia o pai, que era um alcoólatra. O homem agredia constantemente o filho e o humilhava publicamente, dizendo que ele era um “marica”, “estúpido” e “filhinho da mamãe”.

Aos 9 anos de idade, Gacy foi molestado por um amigo da família. Temendo a repressão do pai, nunca contou para ninguém. Mas o abuso o perseguiria pelo resto da vida.

Dois anos depois, John Wayne Gacy caiu de um balanço. Formou-se um coágulo de sangue na sua cabeça, que só foi descoberto pelos médicos quando ele tinha 16 anos. Nesta época, ele sofria de desmaios e convulsões. Acreditando que o menino estava fingindo, o pai lhe batia mesmo inconsciente.

Quando fez 20 anos, Gacy saiu de casa e se mudou para Las Vegas. Lá, começou a trabalhar em um necrotério. Foi aí que as coisas começaram a ficar esquisitas. O emprego durou apenas três meses. Ele teria ficado obcecado em observar os cadáveres.

Foto: Reprodução

Uma vida quase normal

Depois disso, Gacy voltou para Chicago e se formou em uma escola de negócios. Mais tarde, isso o ajudou a conseguir um emprego em uma fábrica de sapatos em Springfield, também em Illinois. Na nova cidade, ele conheceu Marlynn Myers, com quem se casou em setembro de 1964.

Com Marlynn, John Wayne Gacy teve dois filhos: Michael Gacy e Christine Gacy. A sua vida pessoal parecia andar. Até o pai começava a sentir orgulho dele. John, a esposa e as crianças se mudaram para Waterloo, em Iowa. O pai de Marlynn era dono de três restaurantes KFC na cidade e contratou o genro como gerente.

Nesta época, Gacy começou a se envolver com grupos de prostituição, swings, pornografia e abuso de drogas. Ele chegou a abrir um clube em seu porão e chamava os seus funcionários adolescentes para beber e jogar sinuca. O homem costumava chantagear os jovens do estabelecimento para que lhe fizessem sexo oral.

Gacy e Marlynn. Foto: Reprodução

Primeiros crimes

O primeiro crime cometido por John Wayne Gacy aconteceu em 1967. Naquele ano, ele chamou Donald Voorhees, um jovem de 15 anos, filho de um senador do estado de Iowa e membro da câmara, para ir até sua casa para uma sessão de filmes.

Quando o garoto chegou, Gacy o embebedou e o assediou. Em seguida, lhe pagou US$ 50 pelo seu silêncio. A princípio, Donald Voorhees não contou para ninguém o que tinha acontecido, mas, depois de um tempo, não aguentou a pressão psicológica e revolveu contar tudo para a família.

Esse acontecimento acabou provocando o fim do casamento entre Marlynn e John. Durante as investigações, outros adolescentes deram depoimento alegando também terem sido vítimas de abusos sexuais. Gacy foi condenado a dez anos de prisão. Na cadeia, se tornou um preso exemplar e caiu nas graças dos colegas e até dos funcionários.

Assim, conseguiu liberdade condicional depois de apenas 16 meses. Depois de solto, ele voltou a Chicago. Lá, fundou uma empresa dedicada à construção e comprou uma casa. Mais tarde, reencontrou uma antiga colega de infância, Carole Hoff, que tinha duas filhas, e casou novamente.

Uma semana antes do casamento, o noivo foi acusado de assédio sexual por um jovem, que mais tarde, retirou a queixa.

Em janeiro de 1972, John Wayne Gacy cometeu o seu primeiro assassinato. Em 2 de janeiro, Gacy deu carona para Timothy McCoy, um jovem de 16 anos que estava parado em uma estação rodoviária. Ele levou o adolescente para casa e teve relações sexuais com ele. No dia seguinte, o homem pegou uma faca e fincou no peito do garoto.

Foi naquele dia que Gacy descobriu o seu gosto por matar. Ele teria dito que teve um orgasmo enquanto assassinava o jovem McCoy. Na sequência do ocorrido, ele enterrou o corpo em um espaço abaixo do piso da sala.

“Cidadão exemplar”

Foto: Reprodução

Enquanto cometia os crimes, John Gacy tentava passar uma imagem de cidadão exemplar na cidade. Ele se inscreveu no Partido Democrata e se tornou um membro ativo na política de Chicago. Em seguida, tomou conhecimento de um clube de palhaços “Jolly Joker” e criou o seu próprio personagem: o Pogo. Vestido assim, ele participava de festas de aniversários e eventos beneficentes e visitava hospitais infantis.

Em 1975, Gacy resolveu abrir o jogo com a sua esposa, Carole. Ele contou para ela sobre a sua bissexualidade. Mais tarde, ela viria a contar à polícia que já havia visto o marido trazer garotos adolescentes à garagem da casa. Os dois se divorciaram pouco tempo depois da revelação dele.

Depois que passou a morar sozinho, começou a ser mais fácil levar vítimas para casa. Os vizinhos ainda o consideravam um homem modelo, mesmo que reclamassem constantemente do cheiro de putrefação que saía de sua casa. Gacy lhes dizia que o problema vinha do encanamento. Mas a origem do mau cheiro era outra…

Condenação de Gacy

Foto: Reprodução

Entre 1972 e 1978, o palhaço estuprou e assassinou 33 meninos, embora ele mesmo tenha reconhecido que o número era maior. Ele só foi descoberto quando a mãe do adolescente Robert Piest notou o desaparecimento do filho. Ela contou às autoridades que John Wayne Gacy havia oferecido um emprego ao garoto.

Foi aí que a polícia descobriu os crimes. Ao entrar na casa do homem, encontrou vários cadáveres empilhados no porão. Outros corpos foram encontrados em um rio próximo.

O julgamento começou em 6 de fevereiro de 1980. Gacy nunca colaborou durante as investigações e, por isso, o paradeiro de algumas vítimas nunca foi localizado. Seus advogados até tentaram relatar que ele sofria de distúrbios mentais, mas isso foi descartado pelos policiais. Em 13 de março de 1980, foi julgado culpado e condenado à morte.

Enquanto esperava a sentença, Gacy se transformou em uma espécie de celebridade. Ele recebia visitas de professores universitários, estrelas do rock e mulheres que se sentiam atraídas por sua história. Em sua cela, até pendurou pinturas em que era retratado vestido de palhaço e as vendeu por grandes somas de dinheiro.

Depois de 14 anos no corredor da morte, em 10 de maio de 1994, perto de completar 53 anos, o palhaço assassino recebeu uma injeção letal. Suas últimas palavras foram: “Vão para o inferno! Vocês nunca saberão onde estão os outros corpos”.

Fonte: El País e Superinteressante

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