Entenda tudo sobre a crise hídrica que ameaça o fornecimento de energia no país

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Cinco estados brasileiros enfrentam a pior seca nos últimos 91 anos. São eles: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná. Por isso, pela primeira vez na história, o governo federal emitiu um alerta de emergência hídrica entre os meses de junho e setembro.

Nessas regiões, situam-se as represas responsáveis por 70% da capacidade de armazenamento d’água para geração de energia no Brasil. Assim, a população enfrenta, mais uma vez, o risco de racionamento de energia e de apagões elétricos. Além da falta de água nos estados mencionados, podemos esperar por contas de luz mais caras em todo o país.

Foto: Reprodução/TV Globo

Por que isso acontece?

As regiões responsáveis pela geração da maior parte de energia elétrica do Brasil tiveram chuvas abaixo do esperado no último período chuvoso. Tivemos muitos anos consecutivos que o volume de chuva foi abaixo do esperado, mas, nos últimos oito anos, este foi o ano com menor volume. Mas por que tem chovido menos?

De acordo com especialistas, três fenômenos explicam a falta de chuvas no Brasil: o desmatamento da Amazônia, o aquecimento global e o fenômeno La Niña.

Desmatamento da Amazônia

A Amazônia não é só a maior floresta tropical do mundo. Ela influencia na formação de chuvas, ao “puxar” a umidade do oceano e levá-la para outras regiões. Os chamados ventos alísios trazem a umidade do Oceano Atlântico no sentido leste a oeste. Quando chegam na Amazônia, essa umidade se precipita em forma de chuva.

Depois de passarem pela Amazônia e se “recarregarem” com a umidade da floresta, os ventos seguem o caminho em direção à Cordilheira dos Andes. Lá, eles “fazem a curva” em direção à região central do Brasil, chegando ao Sudeste e ao Sul.

No entanto, com cada vez menos árvores na Amazônia, há cada vez menos umidade para os ventos “transportarem”. Por isso, há menos chuvas no Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Aquecimento global

O aquecimento global é outra razão pela qual tem chovido menos no Brasil, principalmente no Nordeste e na região central. Estas áreas tendem a se tornar mais secas por causa da emissão de gases de efeito estufa.

Calcula-se que 83% de todos os gases de efeito estufa lançados na atmosfera vêm da queima de combustível fóssil e 17% das emissões globais vêm de desmatamento de florestas tropicais.

O Brasil é o maior emissor desses gases por causa do desmatamento. Isso já aumentou em 1,4 grau a temperatura da região central do país e estamos no caminho de ter um aumento de 3 a 4 graus.

La Niña

O fenômeno natural responsável pelo período de estiagem em algumas regiões do nosso país chama-se La Niña. Ele é capaz de alterar a distribuição de calor, a concentração de chuvas, a formação de secas e até mesmo a pesca.

O La Niña caracteriza-se pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico e pela mudança no padrão de ventos na região equatorial, que tornam-se mais ou menos intensos. Isso provoca a chegada das frentes frias na porção sul do Brasil.

Por isso, o La Niña provoca estiagem nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e principalmente Sul. Já nas regiões Norte e Nordeste, pode ser verificado o aumento na intensidade das estações chuvosas.

O que tem sido feito?

Foto: Agência Brasil

Como já explicamos, a crise hídrica está ameaçando o fornecimento de energia no nosso país. Até o momento, o governo do presidente Jair Bolsonaro vem repetindo as medidas adotadas na última crise, entre 2014 e 2015, na gestão da ex-presidenta Dilma Rousseff.

As ações incluem controle da vazão nas represas, importação de energia do Uruguai e da Argentina e, principalmente, o acionamento de todas as usinas termelétricas disponíveis. Essas usinas independem de condições climáticas para operar. No entanto, são mais caras e funcionam com base na queima de combustíveis.

Contas de luz mais caras

Na última terça-feira (15), o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, disse que a decisão sobre o aumento no valor das bandeiras tarifárias deve ser tomada até o fim deste mês. Ele afirmou ainda que o reajuste deve passar de 20%.

Além do aumento nos valores das bandeiras tarifárias, a medida vai ter um impacto médio nas tarifas de energia de 5%, percentual que será repassado ao consumidor em 2022.

Racionamento de energia

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, tem negado publicamente o risco de um racionamento de energia. Contudo, ao que parece, ele está, sim, no radar. Na última semana, o Estadão teve acesso a uma medida provisória do chamado “programa de racionalização compulsória”.

Se confirmada, a cartilha deve adotar, entre outras coisas, a redução obrigatória do consumo, semelhante ao que aconteceu em 2001 – quando a população e as empresas foram obrigadas a diminuir a carga em 20% para evitar o apagão.

Fonte: G1, Correio Braziliense, Agência Brasil e GZH Economia

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