Esta mulher deu a volta ao mundo andando

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Até onde você consegue ir com os próprios pés? Uma americana chamada Angela Maxwell deu a volta ao mundo andando. Em 2013, ela decidiu partir nessa aventura sozinha nove meses depois de ter ouvido uma conversa em seu curso de arte sobre um homem que supostamente teria feito o mesmo.

Foto: Reprodução/BBC

A ideia não nasceu de um momento de crise existencial. Pelo contrário: Angela estava na casa dos 30 anos, tinha um negócio de sucesso e estava em um relacionamento. Mas faltava algo… Ela queria uma conexão mais profunda com o mundo ao seu redor.

Depois de ler alguns livros para se inspirar, a mulher ganhou confiança para seguir em sua caminhada. Ir andando minimizaria a pegada de carbono e também significava poder mergulhar totalmente na natureza, conhecer pessoas e entender outras culturas.

Foi aí que ela tomou a decisão. Assim, Angela Maxwell vendeu todos os seus pertences e organizou a bagagem necessária. Encheu um carrinho de mão com 50 quilos de equipamento para acampar, comida desidratada, filtro de água de padrão militar e roupas para as quatro estações do ano.

Ela deixou Bend, sua cidade natal em Oregon, nos Estados Unidos, no dia 2 de maio de 2014.

A viagem

Foto: Reprodução/BBC

Apesar de ter encontrado sua rotina rapidamente, nenhum dia era igual ao outro para Angela Maxwell. Inicialmente, ela até tinha traçado um plano, mas percebeu que desvios faziam parte da aventura. É por isso que, apesar de tomar uma direção geral, ela confiava na sua intuição para seguir o caminho.

No entanto, em nenhum momento, aquilo foi fácil. Angela sofreu queimaduras do sol e insolação na Austrália, pegou dengue no Vietnã, foi atacada e estuprada por um nômade na Mongólia, ouviu tiros no acampamento na Turquia e teve que aprender a dormir com olhos e ouvidos bem atentos para não ficar refém da vulnerabilidade.

Mesmo assim, ela decidiu que continuaria a jornada. Não seguir seu coração seria pior do que perder tudo que amava. Lidar com o abuso sexual acabou se tornando decisivo para Angela. Embora com medo, ela não queria que aquilo a fizesse desistir do seu sonho.

Encontros com outras culturas

Foto: Reprodução/BBC

Enquanto viajava, a americana aceitava convites para conversar, sentar e tomar vinho. Assim, percorreu pequenos vilarejos à beira-mar ao longo do Mar Tirreno, na Itália. Ela até se tornou madrinha da filha de uma mulher que conheceu pelo país.

No Vietnã, depois de chegar ao topo da montanha Hai Van Pass, Angela foi convidada por uma senhora a descansar em sua cabana durante a noite. Na fronteira entre a Mongólia e a Rússia, criou uma relação de amizade, que levou a um reencontro anos depois na Suíça.

Com esses encontros interculturais, Angela Maxwell aprendeu duas lições importantes. A primeira é ser uma boa ouvinte, porque todos têm histórias para contar. Em segundo lugar, ela entendeu a importância da contribuição.

Assim, ao longo de sua viagem, Angela pôde aprender receitas tradicionais de família em um vilarejo italiano, apicultura na Geórgia e tratamento de camelos na Mongólia, na histórica Rota da Seda. Na Nova Zelândia, ela cortou lenha e, na Itália, distribuiu comida para moradores de rua e ajudou um fazendeiro a reformar sua casa.

Desistir não era uma opção

Foto: Reprodução/BBC

Por seis anos e meio, Angela Maxwell escolheu um estilo de vida de curiosidade, incertezas e vulnerabilidade. Tudo isso em busca de felicidade pessoal e novas descobertas. A peregrinação chegou ao fim em 16 de dezembro de 2020, exatamente onde começou: na casa de sua melhor amiga Elyse, em Bend.

Angela se tornou voz de empoderamento feminino, especialmente depois do ataque na Mongólia. Ela compartilhou suas experiências em encontros informais, em escolas e universidades, e até mesmo no palco do TEDx em Edimburgo, na Escócia.

Ao longo da viagem, Angela coletou doações para ONGs como a World Pulse e Her Future Coalition, que se dedicam a apoiar meninas e mulheres jovens. No total, ela arrecadou cerca de US$ 30 mil (cerca de R$ 150 mil).

Agora, a americana está trabalhando em um livro, planejando futuras viagens e criando maneiras de as mulheres encontrarem, expressarem e incorporarem coragem em suas vidas diárias.

Fonte: BBC

E, você? O que achou da aventura de Angela Maxwell? Você largaria tudo para fazer o mesmo? Conta pra gente pelos comentários!

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