Um dos maiores mistérios da atualidade: o desaparecimento de Madeleine McCann

Compartilhe

Era maio de 2007. Inúmeras famílias aproveitavam o verão europeu na Praia da Luz, em Portugal. O que era para ser um período lembrado com carinho se tornaria, mais tarde, o pesadelo dos pais de Madeleine McCann, de apenas 4 anos. Há 14 anos, no dia 3 de maio de 2007, Madeleine desapareceu sem deixar rastros – e até hoje não foi encontrada.

Antes da Praia da Luz: como era a vida de Madeleine McCann?

Madeleine Beth McCann nasceu no dia 12 de maio de 2003 em Leicester, no Reino Unido. Na época do desaparecimento, ela tinha apenas 4 anos. Antes, Madeleine vivia com a família em Rothley, Inglaterra.

A família McCann. Foto: Reprodução

Madeleine é a filha mais velha de Kate McCann e Gerry McCann. Sua mãe trabalhava como médica anestesista, enquanto seu pai ainda é cardiologista no Hospital Glenfield, em Leicester. Dois anos depois de Maddie, como era chamada, o casal teve um casal de gêmeos, Sean e Amelie.

Depois do desaparecimento, as fotos de Madeleine McCann circularam por toda a Europa e, mais tarde, pelo mundo. Como as pessoas identificavam as fotos? Simples: Maddie tinha uma marca característica no seu olho direito. É um tipo de coloboma, ou seja, um alastramento completo da íris – como se a pupila se arrastasse até o limite do olho.

Há 14 anos, a pequena Madeleine McCann desapareceu em Portugal. Foto: Reprodução

O desaparecimento

3 de maio de 2007

A família de Madeleine estava de férias na Praia da Luz, em Algarve, Portugal. Eles se hospedaram no resort Ocean Club, com mais sete amigos. Os pais de Maddie se hospedaram no apartamento 5A, a cerca de 100 metros do restaurante do hotel, chamado Tapas Bar. Do restaurante, era possível vigiar a entrada do quarto onde as crianças dormiam.

Onde está Maddie? Veja tudo sobre o caso de Madeleine McCann
A distância entre o restaurante e o apartamento onde Madeleine McCann foi vista pela última vez. Foto: Fala! Universidades

Os adultos saíram para jantar às 21h. Eles combinaram de revezar a vigia das crianças, que aconteceria a cada meia-hora. Às 21h10, Gerry McCann, o pai de Maddie, deu uma olhada nos pequenos. Às 21h30, foi a vez de um amigo do casal fazer a vigia. Meia hora depois, às 22h, Kate McCann foi checar as crianças e se deparou com a porta do quarto entreaberta. Quando entrou, viu que os gêmeos dormiam bem, mas a cama de Madeleine estava vazia. Depois que verificou o quarto, Kate foi até o restaurante, perguntando a todos no caminho se eles haviam visto a filha.

Foto tirada dias antes do desaparecimento de Madeleine McCann. Foto: Reprodução

Nesse meio tempo, um amigo do casal avisou a recepção do Ocean Club. Em seguida, às 22h41, a recepção do hotel avisou a Guarda Nacional Republicana, que chegou no local em menos de 20 minutos.  A Polícia Judiciária recebeu o alerta às 23h50 e o emitiu para todos os aeroportos ibéricos. Por fim, os funcionários e hóspedes do resort, juntamente com as autoridades, efetuaram buscas até às 04h30 – com a ajuda da Polícia de Segurança Pública (PSP).

A investigação

À meia-noite, os agentes da Polícia Judiciária chegam ao local junto de uma equipe da polícia científica. Em seguida, os profissionais forenses começam a vasculhar o quarto de Gerry e Kate. Nessa altura, muitas pessoas já haviam entrado e saído do quarto, contaminando a cena do crime. Com isso, pouco depois, o tenente-coronel da GNR, Costa Cabral, retifica que as buscas irão continuar por toda a noite. Grupos da Polícia Marítima e um helicóptero da Proteção Civil se juntaram à operação pouquíssimo tempo depois, para vasculhar os arredores da Praia da Luz.

Vista aérea do local onde a polícia concentrou as buscas por Madeleine. Foto: Reprodução

 

Os dias seguintes

No dia 5 de maio, a Polícia Judiciária declarou a suspeita de Maddie ter sido vítima de um crime de rapto. Além disso, os investigadores falaram da existência de um “esboço” de um eventual suspeito. Na manhã seguinte, os investigadores disseram que eles haviam identificado um suspeito e que a criança deveria estar viva, ainda na área. No entanto, no dia 8, cinco dias após o desaparecimento, a Polícia Judiciária admitiu não ter certeza quanto ao estado e paradeiro de Maddie. Na manhã seguinte, do dia 9, a Interpol lançou um alerta amarelo a todos os seus membros.

O esboço do suspeito de raptar Madeleine McCann. Foto: Reprodução

Dada a dificuldade da polícia portuguesa em solucionar o caso, especialistas britânicos chegaram para auxiliar nas investigações. Em seguida, a polícia de Leicestershire enviou representantes para dar suporte à família McCann. A polícia britânica identificou cerca de 130 ingleses pedófilos que estiveram no Algarve, dias antes do rapto de Madeleine. No dia 11 de Maio, uma semana após o desaparecimento, o local de investigação foi declarado livre após a não obtenção de resultados. No dia 13 de maio, a polícia portuguesa admitiu – pela primeira vez  -que não havia qualquer suspeito em vista. A única via de investigação que estavam dispostos a revelar consistia na análise de fotografias tiradas por turistas. Por fim, os interrogatórios relacionados tiveram início no dia 14 de maio.

Em poucas horas, a investigação do caso Madeleine estampou a tela de todos os noticiários locais. Dias depois, Maddie era o assunto de diversos veículos ao redor do mundo.

Primeiro suspeito

Robert Murat

No dia 14, os investigadores concentraram suas forças na Casa Liliana, propriedade de Jennifer Murat.  A casa da cidadã britânica era bem próxima do resort onde Madeleine estava hospedada. A polícia e equipes de investigação forense fecharam o acesso à casa, e às 16h00 a piscina foi drenada. Três pessoas, Robert Murat, o filho de Jennifer, foram interrogados na esquadra. Robert gerou suspeitas a Lori Campbell, uma jornalista do Sunday Mirror, que noticiou a polícia.

Robert Murat, o primeiro suspeito do caso Madeleine McCann. Foto: Reprodução

Robert passava as tardes transitando entre as investigações. As suspeitas sobre ele aumentaram quando começou a traduzir as informações entre as equipes, sem ser, de fato, o tradutor oficial da polícia. Ele dizia estar profundamente preocupado com o caso de Madeleine, devido à perda recente da custódia da sua filha de três anos.

No dia 15 de Maio, Robert Murat recebeu o estatuto de arguido (quando recaem sobre si indícios de ter cometido um delito. Sem arguido não há julgamento), porém, não foi detido nem acusado. Não é claro se foi Murat ou a polícia que pediram o estatuto de arguido, pois este confere direitos adicionais ao arguido – como o de permanecer em silêncio.

Sem evidências, sem detenção

O inspetor Olegário de Sousa disse à imprensa que uma pessoa de 33 anos foi interrogada, mas não foi detida por falta de evidências. O suspeito assinou uma declaração de identidade e residência que o impedia de sair do país.  Além disso, ele deveria fazer deslocações regulares às instalações da polícia. Apesar de não terem sido referidos nomes na conferência de imprensa, acredita-se que o suspeito seja Robert Murat.

Sergey Malinka foi o segundo suspeito do caso de Madeleine McCann. Foto: Reprodução

No dia 16, a polícia investigou dois carros da família Murat, além de computadores, telefones e várias cassetes de vídeos de arquivo pessoal. A polícia também interrogou o russo Sergey Malinka, que havia feito um website para Murat. Malinka foi anteriormente acusado de abuso sexual infantil e, de acordo com a imprensa portuguesa, mantinha contato frequente com Murat desde o desaparecimento de Madeleine.

Depois de investigar Murat e Malinka, foi dada uma conferência de imprensa no dia 17. Nela, Olegário de Sousa, o inspetor, reafirmou a insuficiência de evidências para efetuar uma detenção dos dois homens. A investigação sobre Murat e Malinka perdurou por mais alguns dias até ser colocada em segundo plano pela polícia.

Os pais entram em jogo

Após seis meses de investigação, a Polícia Judiciária interrogou Gerry e Kate, os pais de Madeleine. Saem ambos como arguidos e sujeitos a termo de identidade e residência, através da suspeita do homicídio acidental. Na teoria da polícia, o casal de médicos teria causado,  por negligência ou excesso de medicação calmante, a morte de Maddie.

Gerry e Kate McCann foram considerados suspeitos pela polícia. Foto: Reprodução

A medida em que a investigação seguia, vários indícios de fluidos corporais de Madeleine foram encontrados num carro alugado pelos pais. Um detalhe:  os McCann alugaram o carro mais de vinte dias após o desaparecimento.

Serviços especiais

A imprensa noticiou que os McCann teriam “todo o gosto em continuar a cooperar com as autoridades portuguesas”. Porém, uma fonte próxima revelou que a família não sabia se deveria ou não cooperar completamente com a Polícia Judiciária. Apesar de publicamente terem negado, ainda em maio do mesmo ano os McCann contrataram, sem o conhecimento da PJ, uma firma de investigação privada. Esta firma contratava ex-membros dos serviços secretos e forças especiais. A decisão dos McCann foi tomada contra a lei, mas eles a fizeram pois temiam que a PJ desse a sua filha como morta.

Em agosto, disseram não compreender os motivos da “polícia portuguesa defender a tese de que Madeleine está morta”. Porém, nenhuma fonte policial havia confirmado essa hipótese. Só cem dias após o desaparecimento de Madeleine a polícia passou admitir a possibilidade da menina ter morrido.

Apesar das críticas feitas à PJ, os serviços privados contratados pelos McCann, apesar de disporem de muitos mais recursos não obtiveram quaisquer resultados.

Avistamentos e visões

Desde o seu desaparecimento no dia 3 de maio de 2007, milhares de pessoas disseram ter avistado Madeleine em diferentes locais. A primeira vez que isso aconteceu foi em setembro de 2007 em Nelas, norte de Portugal. A polícia averiguou o relato e confirmou que não se passava de um alarme falso. Depois desse relato, a polícia britânica investigou mais 8.685  ao redor do mundo.

Além disso, vários videntes passaram a dar dicas de onde a menina poderia estar. Alguns acreditaram ter visto Madeleine viva, enquanto outros davam coordenadas da localização do corpo já falecido da criança. A polícia investigou algumas pistas reveladas pelos videntes, mas nenhuma delas chegou a um resultado satisfatório.

Repercussão do desaparecimento de Madeleine McCann

Na época do caso, muitas pessoas ao redor do mundo tomaram conhecimento do desaparecimento de Madeleine McCann. Além dos apelos dos pais e da polícia, figuras públicas também pediram por informações sobre o paradeiro da garotinha. Podemos citar os jogadores de futebol Cristiano Ronaldo e David Beckham, que fizeram pronunciamentos à imprensa pedindo por informações. Na final da Liga dos Campeões, os jogadores do Liverpool FC foram fotografados com um cartaz sobre Madeleine.

O craque David Beckham fez parte da divulgação do caso de Madeleine McCann. Foto: Reprodução

Além disso, foi criado um website oficial para as buscas. A família McCann lançou ela própria dois vídeos de apelo. O primeiro consiste numa montagem de vídeo e fotografia com a trilha sonora do tema Don’t You Forget About Me, dos Simple Minds. O segundo consiste numa montagem de imagens com voz sobreposta da atriz Zoë Wanamaker pedindo informações sobre o paradeiro de Maddie.

Na atualidade

O paradeiro de Madeleine é um dos enigmas mais presentes no imaginário popular até os dias de hoje. No Instagram, existem mais de 13 mil postagens com a hashtag #madeleinemccann. No TikTok, a mesma hashtag conta com mais de 108,5 milhões de visualizações.

Ano passado, a Netflix lançou “The Disappearance of Madeleine McCann” (O Desaparecimento de Madeleine McCann, tradução livre), uma série documental sobre o caso. Os produtores entrevistaram diversas pessoas que participaram das investigações, como Gonçalo Amaral, ex-chefe da investigação do PJ, e Robert Murat, o primeiro suspeito do caso. Veja o trailer:

Conclusão da investigação e últimas notícias

Em 2015, a Polícia Metropolitana de Londres anunciou que “a vasta maioria” do trabalho de investigação já foi feito. Sendo assim, foi reduzido o número de agentes envolvidos no caso: de 29 para 4 em tempo integral. Gerry e Kate McCann declararam compreender a medida e agradeceram o empenho da polícia.

Até hoje, Kate e Gerry McCann procuram pela filha. Foto: Reprodução

No ano passado, no dia 3 de junho de 2020, a Scotland Yard relatou uma nova pista sobre o desaparecimento de Maddie. Os investigadores britânicos apontaram como suspeito Christian Brueckner, de 43 anos. O homem, de nacionalidade alemã, viajava por Portugal na época em que a garotinha desapareceu. A polícia está investigando os motivos pelos quais o homem teria transferido um veículo da marca Jaguar um dia após o desaparecimento de Madeleine McCann.

Segundo a Scotland Yard, a investigação está sendo executada pelo Departamento Federal de Polícia Criminal da Alemanha. Isso porque o suspeito encontra-se atualmente sob custódia naquele país, e cumpre pena por outros crimes relacionados a pedofilia e roubos. Existe a informação de que a polícia reuniu alguns depoimentos de colegas de trabalho de Brueckner, dele falando sobre o que fez com Madeleine. Porém, essa informação nunca foi confirmada pelas autoridades.

Saiba quem é

Christian Brueckner, o suspeito de matar Madeleine McCann. Foto: ReproduçãoHoje, Madeleine teria 18 anos de idade. A recompensa para quem encontrar o corpo da garota excede o valor de 2,6 milhões de libras esterlinas.

Comentários
Posts Relacionados