Mistério sem solução: o desaparecimento das crianças Sodder

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Era véspera de Natal, no ano de 1945. A família Sodder se reunia em volta dos preparativos para a comemoração do feriado – sem saber que, horas depois, protagonizaria um dos casos mais misteriosos da história.

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A família Sodder

George e Jennie Sodder moravam em Fayetteville, West Virginia, Estados Unidos. Nove dos dez filhos do casal estavam em casa no dia do desaparecimento. Joe, o filho mais velho, havia saído de casa dois anos antes, em 1943, para prestar serviço militar durante a Segunda Guerra Mundial.

Depois de vir da Itália com os imigrantes, George se estabeleceu em Fayetteville depois de abrir sua empresa de caminhões, que prosperou ao ponto da família ser considerada uma das mais prestigiadas da região. Sua esposa, Jennie, também havia imigrado da Itália.

Juntos, George e Jennie tiveram dez filhos. Eram eles: Joe, Marion, John, George Jr., Maurice, Martha, Louis, Jennie, Betthy e Sylvia. O mais velho tinha 23 anos, enquanto a mais nova tinha dois.

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As crianças Sodder. Foto: Reprodução

Antecedentes do incêndio

George era um homem de opiniões fortes, que incomodavam alguns imigrantes italianos da região. Sempre envolvido em discussões, ele tecia várias críticas a Mussolini, ditador italiano, e por isso sofria várias ameaças.

Em outubro de 1945, dois meses antes do caso, George teve de despedir um vendedor de seguros. Furioso, o homem o avisou que a sua casa “[iria] desfazer-se em fumo … e os teus filhos vão ser destruídos.”  Quando questionado sobre os motivos, o vendedor afirmou que eram relacionados às “coisas indecentes” que George falava sobre Mussolini.

Benito Mussolini – Wikipédia, a enciclopédia livre
Benito Mussolini era alvo constante das críticas de George Sodder. Foto: Reprodução

Dias depois, outro homem procurou George, para oferecer-lhe trabalhos. Após checar as traseiras da casa, ele deixou avisado que, um dia, o quadro de distribuição provocaria um incêndio. George não deu muita atenção, pois não havia muito tempo que o sistema elétrico da casa foi renovado durante a instalação de um forno eléctrico.

Véspera de Natal

No dia 24 de dezembro de 1945, a família Sodder comemorava a véspera de Natal em sua casa, em Fayetteville. As crianças estavam felizes com os novos brinquedos que haviam ganhado. Por isso, pediram permissão para ficarem acordadas até tarde, brincando no sótão. Jennie concordou, desde que os dois rapazes que ainda estavam acordados, Maurice de 14 anos, e Louis, de dez, não se esquecessem de guardar as vacas no sítio e alimentar as galinhas antes de irem para a cama.

O marido e os dois filhos mais velhos, John e George Jr., que trabalharam o dia inteiro com o pai, já estavam a dormir. Depois que checou as crianças uma última vez, Jennie colocou a filha mais nova – Sylvia, de dois anos – na cama e foi dormir. Com isso, sobravam acordados: Marion, a filha mais velha, e os outros cinco irmãos mais novos brincando no sótão.

O incêndio e desaparecimento das crianças Sodder

Aproximadamente às 1 da manhã, Jennie acordou com o som de um objeto caindo no telhado e rolando. Depois de não ouvir mais nada durante algum tempo, voltou a dormir. Meia hora depois, ela acordou novamente ao sentir o cheiro de fumaça.

Dessa vez, Jennie se levantou e começou a andar pela casa, se deparando com o escritório do marido em chamas. Com isso, decidiu acordar George que, por sua vez, acordou os três filhos mais velhos (Marion, John e George Jr.) e socorreu Sylvia, a mais nova.

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Artigo de jornal sobre o incêndio na casa dos Sodder. Foto: Reprodução

Por fim, George, Jennie e quatro dos nove filhos conseguiram sair da casa a tempo. Da calçada, a família gritou desesperadamente pelas crianças que dormiram no sótão, mas não obteve nenhuma resposta. Já não era mais possível entrar na casa, muito menos subir até onde as crianças estavam, pois as escadas já ardiam em chamas. Cinco filhos de Jennie e George não saíram da casa aquela madrugada. Eram eles: Maurice, 14 anos; Martha, 12; Louis, 9; Jennie, 8; e Betty, 5.

Tentativas falhas de socorro

O telefone não estava funcionando, pois os fios já estavam consumidos pelo fogo. Com isso, Marion correu até à casa de um vizinho para chamar os bombeiros. A chamada não teve sucesso, pois o telefone estava avariado. O vizinho conseguiu realizar a chamada mais tarde, numa cabine do centro da cidade.

Em seguida, George tentou, do lado de fora, colocar uma escada até a janela do sótão, mas ela não estava no local de costume e nunca foi encontrada. Ele também tentou colocar um dos seus caminhões ao pé da casa para escalar até a janela mas, surpreendentemente, nenhum dos dois veículos disponíveis estava funcionando.

O fim do incêndio

Os bombeiros só chegaram na manhã seguinte, no dia 25 de dezembro. A madrugada fora um pesadelo para George, Jennie e os quatro filhos que escaparam do incêndio: no frio da véspera de Natal, eles assistiram à própria casa e aos cinco Sotters, que dormiam no sótão, queimarem durante intermináveis 45 minutos, até as cinzas.

Em depoimento à polícia, John, um dos filhos, disse que foi ao sótão durante o incêndio e tentou acordar as crianças. Depois, mudou o relato, dizendo que apenas os chamou do pé da escada, mas não obteve resposta. Ele acreditava firmemente que os irmãos faleceram no incêndio.

Os cinco irmãos Sodders, que desapareceram no incêndio em 1945. Foto: Reprodução

Os restos da casa não possibilitavam muitas esperanças aos Sodders. Os bombeiros disseram à família que não havia muitos materiais disponíveis para análise, tendo em vista que a intensidade do fogo tinha a capacidade de incinerar as crianças. Mas aquela versão dos fatos não os convenceu. Depois do ocorrido, Jennie foi até o crematório da cidade vizinha. Lá, conseguiu a informação de que os ossos humanos resistem ao calor de 1090 ºC por pelo menos duas horas – e o incêndio durou apenas 45 minutos.

A conclusão do caso Sodder

Apesar da insistência de Jennie em levar a investigação adiante, a polícia chegou a conclusão de que o incêndio se tratou de um acidente local ,causado por uma “avaria no sistema eléctrico”. Curiosamente, o homem que tinha ameaçado incendiar a casa de George Sodder estava entre os jurados que confirmaram o laudo da polícia.

O cartório da cidade emitiu as certidões de óbito das cinco crianças no dia 30 de Dezembro. George e Jennie Sodder não conseguiram comparecer no funeral nos filhos, que aconteceu no dia 2 de janeiro de 1946. Apesar disso, Joe, o filho mais velho de todos, e Marion, John e George Jr., três dos quatro filhos sobreviventes, estavam presentes na cerimônia.

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Jardim que George Sodder cultivou em homenagem aos filhos. Foto: Reprodução

Porém, o chefe da perícia, F.J. Morris, contou aos Sodder que não tinha encontrado os corpos das crianças – nem seus ossos, nem suas cinzas. Isso fez com que George e Jennie criassem esperanças de que, talvez, os cinco filhos desaparecidos não estivessem na casa no momento do incêndio.

A família Sodder, então, começou uma enorme busca pelos filhos desaparecidos, na esperança de que eles ainda estivessem vivos. O caso ficou muito famoso nos Estados Unidos. Porém, apesar dos inúmeros relatos de avistamentos, as crianças nunca apareceram e nenhuma pista foi comprovada. Consequentemente, o caso permanece sem solução até os dias de hoje,

Louis Sodder sobreviveu ao incêndio?

Bom, desde já é bom elucidar que não se sabe. Mas em 1960, 15 anos após o incêndio, Jennie Sodder recebeu uma carta sem remetente. Junto com a carta havia uma foto e, no verso dela, estava escrito “Louis Sodder” – o nome de um dos filhos que desapareceu no incêndio.

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A foto de Louis Sodder, que desapareceu em 1945, e a foto que Jennie recebeu 20 anos depois. Foto: Reprodução

Apesar de Jennie nunca ter conseguido identificar a procedência da carta, ela nunca deixou de acreditar na sua veracidade. Seria aquele homem da foto o seu filhinho que desapareceu aos nove anos?

Teorias: o que pode ter acontecido com os irmãos Sodders?

Mesmo após 76 anos, as pessoas nunca esqueceram o caso da família Sodder. Afinal, o que aconteceu com Maurice, Martha, Louis, Jennie e Betthy?

Primeira hipótese: as crianças morreram no incêndio

Apesar de parecer a mais “óbvia”, não deixa de ser uma hipótese, tendo em vista que o paradeiro das crianças – ou de seus restos mortais – nunca foi identificado.

Segunda teoria: sequestro planejado

Outra teoria é a de que as cinco crianças foram sequestradas antes do incêndio. Nesse caso, para distrair os pais e cobrir as pistas, os sequestradores atearam fogo na casa. A finalidade do sequestro varia entre os conspiradores: alguns acreditam que as crianças foram mandadas para diferentes famílias ao redor do mundo. Porém, outros pensam que elas foram vítimas de um esquema de tráfico infantil ou de órgãos.

Terceira hipótese: vingança

Esta é a teoria mais famosa. Isso porque George, o pai das crianças, tinha pelo menos dois motivos para se preocupar quanto à prováveis vinganças. O primeiro, a sua insistência em se envolver em polêmicas políticas. O segundo é que George tinha rixas com diversas pessoas em Fayetteville – como alguns prestadores de serviços que despediu, por exemplo. Muitos acreditam, inclusive, que o vendedor de seguros que ameaçou incendiar a casa de George está por trás do caso.

A busca continua

Hoje em dia, Sylvia Sodder é a única sobrevivente viva. Com o passar dos anos, seus filhos e sobrinhos criaram diversas campanhas para relembrar o caso e, talvez, reabri-lo para investigações mais modernas. Apesar disso, a polícia nunca se interessou em investigar o caso novamente. George Sodder morreu em 1969 e Jennie, sua esposa, faleceu 20 anos depois, em 1989.

A Fire or a Kidnapping? The Sodder Children Case
Silvia Sodder, a última sobrevivente conhecida do incêndio que instaurou um mistério em sua família. Foto: Reprodução

Por fim, até hoje, o caso continua sem solução. Depois de 76 anos e sem nenhuma informação adicional, o paradeiro das crianças Sodder é um dos mistérios não resolvidos mais famosos dos Estados Unidos.

 

E aí, você já conhecia a história dos irmãos Sodder? Conta para a gente!

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