O assassino de enfermeiras: o caso Richard Speck

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Já ouviu falar do assassino de enfermeiras? O caso ficou conhecido por conta de sua brutalidade e chocou toda a cidade de Chicago. Depois que Richard Speck foi preso, uma gravação anônima mostrou a falta de remorso para com suas inúmeras vítimas. Mas, antes, vamos a sua história:

A história de Richard Speck

Richard Benjamin Speck nasceu em 6 de dezembro de 1941, na pequena cidade de Monmouth, Illinois. Filho de pais religiosos, sua família sofreu um grande baque quando seu pai morreu, vítima de um ataque cardíaco. Na época, Richard tinha apenas seis anos de idade.

Richard Speck: Hell Raiser
O pequeno Richard Speck. Foto: Reprodução

Alguns anos depois, sua mãe,  Mary Margaret, se casou com um vendedor de seguros do Texas, Carl August Rudolph Lindenberg. Apesar de parecer uma boa pessoa, Carl possuía uma longa ficha criminal, além de constantemente ficar bêbado e abusar verbalmente de Richard e de sua família.

A mãe de Speck se casou com Lindenberg em maio de 1950. Posteriormente, a família se mudou para East Dallas, no Texas, onde viveram em muitos bairros pobres da cidade.

Speck não era muito sociável e tinha poucos amigos. O menino tinha crises de dor de cabeça, e não se sabe se uma queda brusca – ou os abusos do padrasto – causou a cefaléia. Ele também precisava usar óculos, mas se recusou a vida toda. Por isso, ele não participava das atividades da sala de aula. Por fim, Speck repetiu a oitava série e acabou largando os estudos na 9ª série, aos 13 anos.

Nascido para elevar o inferno

Speck começou a beber muito jovem, aos 12 anos. Com isso, ele foi preso pela primeira vez em 1955 – aos 13 anos – por invasão. No entanto, esse não foi seu primeiro e último delito.

Richard Speck em um tribunal. Foto: Reprodução

Ele tinha vários empregos regulares. O mais duradouro deles foi na empresa 7-up, onde ficou quase três anos trabalhando. Em outubro de 1961, aos 19 anos, Speck conheceu Shirley Annette Malone, de 15. A jovem engravidou após três semanas de namoro e os dois se casaram em janeiro de 1962.

Sua filha, Robbie Lynn, nasceu em julho de 1962. Na época, Richard estava preso, cumprindo uma pena de 22 dias, devido a uma briga em que se envolveu. Aos 21 anos, Speck foi condenado a mais três anos de prisão, por falsificação e roubo, mas cumpriu apenas 16 meses. Foi nessa época que ele tatuou a frase “Born to Raise the Hell” (Nascido para elevar o inferno, tradução livre) no antebraço. Futuramente, essa tatuagem iria denunciá-lo por um dos crimes mais famosos de Chicago.

Atordoada pela vida instável do marido, Shirley decidiu deixá-lo após poucos anos de casamento. Ela relatou que era estuprada com frequência e que Speck era uma pessoa muito agressiva e perigosa. Depois que se mudou, Shirley se casou novamente, dois dias depois do divórcio. Ele se casou novamente em 1966, mas devido as agressões, sua segunda esposa quis se divorciar. Isso deixou Speck furioso, o que o levou a cometer uma série de crimes.

Os crimes de Richard Speck

Depois do divórcio, Richard voltou para Monmouth, para morar com a irmã. Lá, ele esfaqueou um homem em uma briga de bar, roubou um carro e uma mercearia, e depois assaltou, torturou e estuprou uma mulher de 65 anos chamada Virgil Harris.

Duas vezes em que Richard Speck foi preso. Fotos: Reprodução

Uma semana depois, Speck esfaqueou a garçonete Mary Kay Pierce, causando assim sua morte. O corpo foi abandonado em um chiqueiro atrás de um bar frequentado pelo assassino. Após investigações da polícia, Speck fugiu da cidade, sendo encontrado em seu quarto de hotel pertences que haviam sido roubados de Virgil Harris.

Speck fugiu novamente e passou a morar com sua irmã Martha, na cidade de Chicago. Surpreendentemente, apesar da ficha criminal, ele conseguiu um emprego na Marinha Mercante dos Estados Unidos. Quem arranjou o emprego foi seu cunhado, Gene Thornton.

O emprego não durou muito: em sua primeira viagem, sofreu uma crise de apendicite e teve que voltar às pressas para o hospital de Chicago. Na segunda vez em que viajou, brigou com dois oficiais e, assim, colocou um fim na sua breve carreira na Marinha Mercante.

O assassinato das enfermeiras

Em Chicago, no dia 4 de julho de 1966, Speck invadiu um dormitório compartilhado por nove estudantes de enfermagem do Hospital Comunitário do Sul de Chicago. Lá, ele rendeu, agrediu, estuprou e matou oito enfermeiras através de enforcamentos e de golpes desferidos com sua faca. Apenas uma jovem sobreviveu: a estudante de intercâmbio filipina Corazon Amurao, que se escondeu debaixo de uma cama durante todo o crime.

De acordo com a sobrevivente, Speck falava calmamente com as meninas e pediu para que todas as seis que estavam na casa fossem até um dos quartos. Lá, ele amarrou uma por uma com lençóis. Da sala, Speck chamou uma estudante por vez e, em seguida, esfaqueava e espancava até a morte. Corazon só sobreviveu pois rolou para debaixo de uma cama quando começou a ouvir os gritos abafados da primeira garota.

Mais duas estudantes chegaram na casa enquanto Speck assassinava as meninas. Elas foram brutalmente atacadas e tiveram o mesmo destino das outras. A última a chegar, Gloria Jean Davy, de 22 anos, foi a única entre as mulheres que foi estuprada e brutalizada sexualmente antes de ser estrangulada.

As oito enfermeiras assassinadas por Richard Speck. Foto: Reprodução

O fim do assassino de Chicago

Depois da carnificina no abrigo das enfermeiras, Speck foi embora achando que havia matado todas as mulheres. Ele não sabia, porém, que Corazon Amurao estava viva, debaixo da cama. Ela ficou lá até às seis da manhã, até que se sentiu segura o suficiente para sair do local. Atordoada, ela saiu pela janela mais próxima e começou a gritar: “Elas estão todas mortas. Minhas amigas estão todas mortas, oh Deus, eu sou a única viva”. A estudante continuou gritando até encontrar a ajuda da polícia.

Speck e Amurao chegando na delegacia em 1966. Foto: Reprodução

Na delegacia, Amurao descreveu a voz e a aparência do assassino de suas amigas – e chamou atenção para um pequeno detalhe no seu antebraço direito: a tatuagem “Born to Raise the Hell” (nascido para elevar o inferno, tradução livre).

Dias depois do assassinato, Speck teve que ir ao hospital, depois de uma queda, e lá acabou sendo facilmente reconhecido. Um médico reconheceu sua tatuagem depois que leu a história no jornal e imediatamente chamou a polícia.

Julgamento e sentença

Speck foi levado a julgamento pelos assassinatos. Apesar de afirmar não ter lembranças dos crimes, a promotoria tinha certeza da condenação por conta da testemunha ocular: Corazon Amurao foi testemunhar no julgamento. De frente para o homem que tirou a vida de suas colegas, ela apontou para ele e disse: “Este é o homem”. A promotoria também encontrou impressões digitais correspondentes a Speck na cena do crime, portanto, haviam provas concretas de que ele era o culpado.

Por fim, após apenas 45 minutos de deliberação, o júri voltou com um veredicto de culpado por Speck. Ele recebeu inicialmente uma sentença de morte, que foi reduzida à prisão perpétua cinco anos depois, em 1971, quando a Suprema Corte decidiu que as pessoas que se opunham à pena de morte eram inconstitucionalmente excluídas do júri.

Richard Speck | Bonnie's Blog of Crime
Richard Speck morreu na cadeia em 1991. Foto: Reprodução

Speck morreu na cadeia em 1991, por conta de um ataque cardíaco. Em uma gravação anônima, um detento pergunta a ele qual foi a motivação para o crime bárbaro que tirou a vida das jovens estudantes. Sem nenhum pingo de remorso, ele respondeu, levantando os ombros: “não era a noite delas”.

O famoso caso das enfermeiras: Richard Speck em obras da TV

O julgamento de Richard Speck movimentou todo o território dos Estados Unidos. Foi uma das primeiras vezes na história americana que alguém matou tantas pessoas aleatoriamente.

Pela fama do caso das enfermeiras, Speck inpirou os assassinos de diversos filmes e séries. A aparição mais famosa foi na série norte-americana American Horror Story. Na primeira temporada, vemos o momento em que Speck mata brutalmente duas das oito enfermeiras da casa.

Dez assassinatos tenebrosos e reais que assustaram em American Horror Story · Notícias da TV
A famosa série American Horror Story retratou o crime mais conhecido de Speck. Foto: Reprodução

O crime de Speck também teve um episódio na série Mindhunter. Jack Erdie interpretou o assassino brilhantemente e conquistou muitos elogios da crítica.

Richard Speck | What Each of the Serial Killers Featured in Mindhunter Look Like in Real Life | POPSUGAR Entertainment Photo 9

E aí, você já conhecia a história de Richard Speck? Conta pra gente nos comentários!

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