O brasileiro que saiu de casa para comprar pão e acabou virando um soldado nazista

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Imagina sair de casa para comprar pão e acabar virando um soldado de guerra… Foi isso que aconteceu com o brasileiro Horst Brenke. O dia 6 de janeiro de 1945 deveria ser apenas um dia normal para o jovem, que morava com os pais alemães em Berlim, em plena Segunda Guerra Mundial. Mas tudo mudou quando ele resolveu sair de casa para ir à padaria.

Foto: Divulgação

– “Vou tentar comprar pão”.

– “Não, meu filho. É perigoso”.

– “Eu corro até o armazém perto da estação. Se também não tiver pão, volto na mesma hora”.

Este teria sido o último diálogo entre Horst e sua mãe, Margarete. Pois, quando estava na fila, o brasileiro de 18 anos foi levado pelo exército nazista para combater na guerra. O garoto mal teve a chance de explicar que nasceu no Brasil; ele logo recebeu uma arma e foi levado ao campo de batalha.

Naquela época, a derrota alemã já era inevitável e, por isso, as tropas de Adolf Hitler tentavam recrutar jovens soldados desesperadamente. Os russos se aproximavam rapidamente de Berlim e, pouco tempo depois, Hitler já estaria morto. Em seguida, viria a rendição da Alemanha e o fim da Segunda Guerra Mundial.

No dia 28 de abril de 1945, o grupo em que Horst Brenke estava foi cercado pelo Exército Vermelho em Halbe, ao sul da capital alemã. Foram dois dias de batalha, que deixaram mais de 40 mil mortos. Os sobreviventes, inclusive Horst, foram capturados pelos russos. Assim, o jovem brasileiro se tornara um prisioneiro de guerra.

A história virou um livro

Diário de Horst Brenke. Foto: Domínio Público

A história de Horst Brenke inspirou o jornalista Tarcísio Badaró a escrever o livro “Era um Garoto – O Soldado Brasileiro de Hitler” (2016). Para narrar a trajetória do jovem, Badaró se inspirou nos diários que Horst escrevia quando ainda era um prisioneiro, entre maio de 1945 e outubro de 1946. O autor também se baseou em entrevistas e viajou por todos os lugares pelos quais o soldado teria passado.

Horst nasceu em Curitiba e, logo se mudou para Belo Horizonte com a família. Depois de um tempo no Brasil, os pais decidiram voltar às origens na Alemanha. Segundo Tarcísio Badaró, eles acreditavam na aparente prosperidade do país.

“A pesquisa me sugeriu que eles não eram bem informados, que não tinham conhecimento sobre o que ocorria por lá. Ouviam sobre o ressurgimento econômico do país, se interessaram por esse ressurgimento e, possivelmente, até o relacionavam a Hitler. Mas não entendiam o caminho que a Alemanha e a Europa tomavam. Muito menos as práticas usadas para isso”, disse o jornalista em entrevista ao blog Página Cinco, da UOL.

Badaró também contou que, pelas anotações deixadas por Horst, não ficou muito claro qual era o sentimento dele em relação a Hitler. “O fato é que, nem antes nem depois da volta, não encontrei qualquer indício de nacionalismo, interesse político, simpatia ou concordância com as ideias nazistas. Pelo contrário”, afirmou ele.

Quem fim Horst Brenke levou após a captura pelos russos?

Passaporte brasileiro de Horst. Foto: Domínio Público

Logo após ser capturado, Horst foi levado para o campo de Stalag VIIIC e, em seguida, transferido para a fábrica de tratores em Vladimir, cidade que fica a cerca de 200 km de Moscou. Lá, o brasileiro teria seu destino traçado pelo frio, fome e falta de esperanças. “O que trará o futuro?”, registrou ele em um dos diários.

Horst foi prisioneiro do Exército Vermelho por mais de um ano, até ser libertado em julho de 1946, em Udine, na Itália. Por lá, perambulou pelas ruas e dormiu em sanatórios até que conseguisse arrumar a documentação para retornar ao Brasil. Nesta época, também conseguiu retomar o contato com a família, que permaneceu em Berlim, por meio de cartões postais.

O soldado voltou ao Brasil em outubro de 1946 – dois anos antes de sua mãe, seu pai e sua irmã. De volta ao seu país natal, ele tentou reconstruir sua vida. Casou-se, teve sete filhos e viveu em Belo Horizonte até maio de 1984, quando, aos 57 anos, morreu vítima de um câncer.

E aí? O que você achou dessa história? Conhecia Horst Brenke? Conta pra gente pelos comentários!

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