O que foi a Revolução Constitucionalista que deu origem ao feriado de 9 de julho?

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Você já parou para se perguntar o motivo pelo qual 9 de julho é feriado apenas em São Paulo? Nesta data, o estado comemora a Revolução Constitucionalista de 1932. Mas o que isso significa? Vamos explicar!

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Batalhão paulista durante a revolução de 1932. Foto: Wikimedia Commons

Como tudo começou?

Antes de falarmos sobre os motivos que levaram ao conflito, precisamos entender os seus antecedentes. Era 1929: o cenário político já era bem conturbado devido às consequências da crise econômica que assolava os Estados Unidos e tinha um impacto direto no Brasil.

No ano seguinte, ainda aconteceriam as eleições presidenciais para decidir quem seria o sucessor do então presidente Washington Luís. É importante lembrar que, na República Velha, vigorava a chamada “política do café com leite”. São Paulo e Minas Gerais revezavam a presidência.

Mas, contrariando o acordo, ao invés de indicar um mineiro, Washington Luís indicou para a sucessão outro paulista, Júlio Prestes. Esta desavença entre as oligarquias acabou levando à formação da “Aliança Liberal” entre Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul.

A chapa lançou Getúlio Vargas como candidato a presidente e João Pessoa como candidato a vice-presidente. Os dois acabaram derrotados por Júlio Prestes nas urnas.

O clima já era de insatisfação por parte da Aliança Liberal. Para piorar, em julho daquele ano, João Pessoa fora assassinado. O motivo do crime não tinha nada a ver com isso, mas ele foi o estopim para a Revolução de 1930.

Revolução de 1930

Getúlio Vargas em 1930. Foto: Reprodução

A morte de João Pessoa, então governador da Paraíba, ganhou repercussão nacional. Não faltavam conspirações, apoiadas por aliados de Getúlio Vargas, de que Júlio Prestes e Washington Luís teriam envolvimento no assassinato. Este era o mártir para um golpe de Estado.

Com apoio dos militares, em especial do Tenentismo, iniciou-se um movimento para derrubar o presidente da República e impedir a posse de Prestes. A articulação levou a levantes armados em várias partes do país. No dia 24 de outubro de 1930, Washington Luís foi deposto, e a sucessão presidencial para Júlio Prestes foi interrompida.

Uma Junta de Governo Provisório assumiu o comando do Brasil até que, no início de novembro, ela passou o poder para Getúlio Vargas, apontado como líder do movimento revolucionário. Era o fim da República Velha.

Era Vargas e Revolução Constitucionalista

Ao tomar o poder, Getúlio Vargas revogou a Constituição de 1891 e dissolveu o Congresso Nacional, além de instituído “interventores”, escolhidos a dedo por ele, no lugar dos governadores. É nesse contexto histórico que ocorre, menos de 2 anos depois, a Revolução Constitucionalista.

Insatisfação

As atitudes de Vargas não agradavam em nada São Paulo. Os movimentos paulistas afirmavam que o Brasil vivia uma ditadura, acusavam o governo federal de seguidas interferências no estado e afirmavam que o presidente não estava cumprindo a promessa de elaborar uma nova Constituição. Os protestos só aumentavam.

As tensões se agravaram em 22 e 23 de maio de 1932. Manifestantes se articulavam contra a presença de Oswaldo Aranha, então ministro da Fazenda, em São Paulo. Eles se dirigiam à Praça da República, no centro da cidade, a fim de destruir a sede do Partido Popular Paulista (PPP), que era apoiador do governo Vargas.

No entanto, no dia 23, durante o protesto, quatro jovens foram assassinados. Euclides Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Américo Camargo Andrade. A sigla com o nome dos mortos entraria para a história: MMDC.

Foto: Reprodução

Naquele momento, Getúlio Vargas já havia estabelecido eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte, que foram convocadas em fevereiro de 1932. Ele também já havia nomeado um interventor do próprio estado. Estas eram as duas grandes exigências de São Paulo. Porém, a interferência do governo federal continuava forte.

9 de julho de 1932

No dia 9 de julho de 1932, foi lançada uma Junta Revolucionária. Ela convocava os paulistas a lutarem contra o governo federal. São Paulo esperava o apoio de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, mas isso não aconteceu. O apoio veio do atual Mato Grosso do Sul, que, na época, era um estado independente chamado Maracaju.

O levante contava com o engajamento da Força Pública Paulista, da Polícia Estadual e de uma divisão do exército. No entanto, São Paulo não possuía soldados ou equipamentos suficientes contra o governo brasileiro. Mesmo assim, a guerra durou cerca de 3 meses.

A principal frente de batalha foi a região do Vale do Paraíba, que liga São Paulo e Rio de Janeiro – na época, capital do Brasil. Em resposta aos revoltosos, a Marinha brasileira bloqueou o principal porto paulista, o de Santos. Isso impedia que São Paulo recebesse armas ou mercadorias.

Universidades e institutos de pesquisa buscaram elaborar armamentos para suprir as tropas paulistas. Para driblar a falta de fuzis, alguns soldados usavam matracas para imitar o barulho de metralhadoras. Outro aspecto interessante do conflito foi o uso de aviões de combate pelos dois lados.

Estima-se que foi durante a Revolução Constitucionalista de 1932 que tenha acontecido o primeiro bombardeio aéreo da América Latina. Segundo rumores, o uso do avião para destruição e mortes teria agravado a depressão de Santos Dumont, que se suicidou em 23 de julho daquele ano.

Rendição

O Estado de São Paulo estava economicamente devastado com o conflito. Em 1º de outubro de 1932, os paulistas assinaram a rendição. Vargas, por sua vez, reafirmava que a eleição de deputados constituintes ocorreria no dia 3 de maio de 1933. Mais tarde, ela levaria à proclamação da Constituição de 1934.

Cada lado contava um pouco de vitória. São Paulo afirmava que tinha pressionado Getúlio Vargas a convocar uma Constituição. Já o presidente alegava que o Brasil caminhava para o fim dos conflitos federativos e dos interesses de oligarquias.

Memórias da Revolução Constitucionalista

Foto: Governo do Estado de S. Paulo

Quem passa pela cidade de São Paulo pode se deparar com algumas memórias da Revolução Constitucionalista de 1932. No Obelisco, que fica na área do Parque do Ibirapuera, estão enterrados os restos mortais de 713 combatentes. As principais avenidas paulistas também homenageiam o movimento: a Avenida 23 de Maio e a Avenida 9 de julho.

Fonte: Nerdologia e Se Liga

Quem disse que no Brasil não tem guerras, hein? Você já sabia disso? Conta pra gente pelos comentários!

 

 

 

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