O que foi o Holocausto brasileiro?

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“Holocausto brasileiro”. Foi assim que ficou conhecido o horror enfrentado pelos 60 mil pacientes mortos no Hospital Colônia de Barbacena, no interior de Minas Gerais. O nome foi dado pela jornalista Daniela Arbex em um livro que conta a história do maior hospício do Brasil.

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Foto: Wikimedia Commons

A política que determinou o fim dos sanatórios e manicômios no país só foi sancionada em 2001. Antes disso, foram décadas de aprisionamento, maus-tratos e torturas. O Hospital Colônia de Barbacena foi criado na cidade mineira em 1903.

O nome “holocausto brasileiro” faz referência ao genocídio de milhões de judeus em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. “Foi uma tragédia. Claro que não na proporção dos judeus, mas foi uma tragédia singular na nossa história”, explicou Daniela ao Globo News.

Um horror

Foto: Wikimedia Commons

O hospital, que tinha capacidade para 200 leitos, começou a inchar em 1930, durante o Estado Novo. Foi aí que ele atingiu o status de maior hospício brasileiro. Em 1961, havia cinco mil pacientes. Para comportar tanta gente, o Colônia trocou camas por capim.

Naquela época, a medicina não era a principal preocupação da administração. Estima-se que 70% dos internados sequer tinham diagnóstico de doença mental. Homossexuais, alcoólatras, militantes políticos, mães solteiras e meninas que haviam perdido a virgindade antes do casamento eram algumas das pessoas mandadas para lá.

Esses “pacientes” chegavam de trem, vindos de todos os cantos do Brasil, espremidos no último vagão. Daí vem a expressão “trem de doido”, presente no vocabulário mineiro até os dias de hoje.

Nos períodos de maior lotação, 16 pessoas morriam a cada dia – a maioria vítimas de choques elétricos. Ao morrer, seus corpos eram vendidos às faculdades de medicina. Quando houve excesso de cadáveres e o mercado encolheu, os mortos eram decompostos em ácido e suas ossadas eram comercializadas.

A situação só começou a melhorar na década de 1980. O hospital funciona até hoje, sob a administração da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) e conta com menos de 200 pacientes que sobreviveram àquela época.

Fonte: VICE e Globo News

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