O sumiço de Walter Collins e os crimes do galinheiro de Wineville

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Na década de 1920, a Califórnia, nos Estados Unidos, foi palco de um grande horror… Os crimes do galinheiro de Wineville – como ficaram conhecidos – foram uma série de sequestros e assassinatos de meninos que aconteceram na cidade de Los Angeles.

Entre 1926 e 1928, Gordon Stewart Northcott sequestrava, abusava sexualmente, torturava e assassinava as crianças em seu terreno. O número exato de vítimas nunca foi descoberto. Mas, um caso, em particular, ganhou grande notoriedade em torno do assunto: o sumiço de Walter Collins.

Retrato de Walter Collins. Foto: Domínio público

Gosta de histórias sobre casos reais? Confira os crimes cometidos por crianças. Também não deixe de ler sobre a menina que era refém de doenças criadas pela própria mãe.

O impostor

O caso expôs uma grande corrupção dentro do Departamento de Polícia de Los Angeles. Um menino chamado Walter Collins e sua mãe, Christine Collins, foram peças chave no caso de Gordon Northcott. O drama começou em 1928.

Naquele ano, Christine saiu para trabalhar e deu dinheiro para que o filho, Walter, de 9 anos, fosse no cinema. Ao perceber a demora da criança, a mãe começou as buscas por conta própria. Contudo, ela não teve sucesso e, cinco dias depois, relatou o sumiço de Walter à polícia local. Em pouco tempo, o desaparecimento do menino estampava os principais jornais da cidade.

Após meses de investigação, ainda não existiam pistas sobre o paradeiro de Walter Collins. Em agosto do mesmo ano, “Walter” teria sido encontrado. Arthur Hutchins, um menino de Illinois, se passou por ele, a fim de conhecer a Califórnia e seu ator preferido, Tom Mix.

Assim, as autoridades deram o caso como encerrado. Contudo, Christine Collins afirmou que, embora o garoto se parece com Walter, aquele não era o filho dela. O Departamento de Polícia de Los Angeles recusou-se a acreditar, e Christine teve que levar o impostor para casa.

O drama continuou…

Christine Collins e o impostor

Alguns dias depois, ela voltou à policia para devolver o falso Walter. Ainda assim, não conseguiu convencer o capitão JJ Jones, responsável pelo caso, da farsa. “O que você está tentando fazer? Fazer todos nós de idiotas? Ou você está tentando fugir de seu dever de mãe e fazer com que o Estado cuide de seu filho?”, teria dito ele.

A polícia mandou Christine para um hospital psiquiátrico. Enquanto isso, testes foram feitos com o menino que se dizia Walter e, a partir da sua arcada dentária, descobriu-se que o garoto era, de fato, um impostor.

Arthur Hutchins, de 12 anos, confessou que estava se passando por Walter. Depois que sua mãe morreu, o menino foi viver uma nova vida isolado com seu pai “frio” e uma madrasta “maliciosa”. Por isso, fugiu e aproveitou a oportunidade do sumiço de Walter para se passar por ele.

E depois?

Angelina Jolie interpreta Christine Collins no filme "A Troca", baseado na história real
Angelina Jolie interpreta Christine Collins no filme “A Troca”, baseado na história real

Libertada do hospital, ela entrou com uma queixa contra a polícia de Los Angeles. Pressionado pela população e pela mídia, o capitão JJ Jones insistiu que Walter poderia ter sido uma das vítimas de Gordon Stewart Northcott. O caso também vinha sendo investigado pelo departamento.

Contudo, o corpo de Walter Collins nunca foi encontrado no galinheiro de Wineville. Tempo depois, a queixa contra a cidade e o chefe da polícia foi indeferida, e Jones foi suspenso. Mais de dois anos e dois julgamentos depois, um juiz concedeu a ela uma indenização. No entanto, ela nunca a recebeu.

Sem nunca perder as esperanças, Christine Collins se tornou a primeira mulher americana em mais de três décadas a receber permissão para visitar um assassino em série na véspera de sua execução. Em outubro de 1930, Northcott enviou a ela um telegrama, prometendo lhe contar a verdade. Porém, ele não o fez.

Cinco anos após a execução de Gordon Stewart Northcott, uma de suas vítimas foi encontrada viva e bem. David Clay – um dos meninos que acreditava-se ter sido assassinado – revelou que Walter era uma das crianças que estava com ele em Wineville. Ele contou que eles tentaram escapar, mas acabaram se separando.

Essa notícia deu a Collins a esperança que ela precisava para continuar procurando o filho pelo resto de sua vida. Ela nunca desistiu – até o dia de sua morte, em 1964.

Fonte: Los Angeles Times

Você já conhecia esta história? Já assistiu ao filme? O que você faria no lugar de Collins? Conta pra gente pelos comentários!

 

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