O vampiro de Niterói: conheça a história de um dos maiores serial killers brasileiros

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Marcelo Costa de Andrade é um serial killer brasileiro. Seus crimes perversos assustaram os moradores de Niterói, no Rio de Janeiro. A comoção foi tanta que Marcelo ganhou o apelido de “Vampiro de Niterói”.

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Marcelo teve uma infância cheia de problemas na Rocinha, comunidade do Rio de Janeiro. Começando por sua família: sua mãe, que trabalhava como empregada doméstica, sofria abusos constantes do marido. O pai de Marcelo era tão abusivo que a esposa chegou a mandar o filho para morar com os avós por um tempo, no Ceará. Apesar de achar que viveria mais tranquilo com os avós, Marcelo ainda apanhava muito.

De volta para o Rio de Janeiro, Marcelo se tornou o alvo dos novos companheiros dos pais, agora divorciados. Nesse mesmo período, foi vítima de abuso sexual. Com isso, desenvolveu sérios problemas de conduta. Então, os pais de Marcelo decidiram mandá-lo para um internato, chamado Casa dos Meninos. Lá, sofria bullying nas mãos dos colegas, por causa do mau desempenho nas aulas. Quando tinha 14 anos saiu do internato.

Juventude problemática

Assim que deixou o internato, Marcelo viu na prostituição uma forma de se manter. Com isso, ficava nas ruas do Rio de Janeiro à espera dos clientes – que eram sempre homens adultos. Em depoimento à polícia, Marcelo admitiu que costumava ser o ativo das relações. Mas, um dia, depois que um cliente o obrigou a ser o passivo, ele ficou perturbado. Depois que foi enviado para a FUNABEM (Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor), acabou fugindo e morou com um homem mais velho. Em seguida, por complicações no relacionamento, Marcelo voltou para a casa dos pais. Na época, arranjou um emprego e passou a ajudar nas despesas da família.

Marcelo Costa de Andrade, o vampiro de Niterói
Marcelo Costa de Andrade, o vampiro de Niterói. Foto: Reprodução

A mãe de Marcelo era muito religiosa. Ele estava acostumado a frequentar os cultos, ou a acompanhá-los pela TV. Muitas das coisas que o jovem aprendeu nos cultos fizeram parte de suas confissões à polícia. A mais famosa delas é de que, como havia aprendido que as crianças que morrem vão para o céu, então ele deveria matá-las em vez dos adultos. Dessa  forma, não estaria enviando ninguém para o inferno.

Marcelo havia, enfim, acalmado a vida turbulenta e não apresentava mais nenhum problema de conduta. A vida parecia estar, de certo modo, no auge de sua calmaria. Apesar disso, foi nessa época que Marcelo começou sua trajetória de crimes macabros – que lhe renderiam o apelido “Vampiro de Niterói”.

O vampiro de Niterói

A primeira vez que as autoridades identificaram um crime de Marcelo foi em 1991. A polícia encontrou o pequeno Ivan, de 6 anos, num córrego de esgoto de São Gonçalo, vestindo apenas a bermuda. Ao contrário dos que os investigadores julgaram ser apenas um afogamento, a autópsia revelou que Ivan foi asfixiado e molestado.

Até então, demoraria para que a polícia identificasse Marcelo como o assassino. Mas, para o seu azar, Ivan não estava sozinho no dia em que morreu: seu irmão mais velho, Altair, estava junto com ele. O sobrevivente, de apenas 10 anos, relatou à polícia tudo o que aconteceu no dia do crime.

O caso Ivan: o crime que denunciou Marcelo, o vampiro de Niterói

Os dois irmãos passeavam pela estação central de Niterói quando Marcelo os chamou. Segundo Altair, o homem teria oferecido cerca de 4.000 cruzeiros para que os dois o ajudassem a realizar um ritual religioso católico. Os três foram parar numa praia deserta, nos arredores do Viaduto do Barreto. Marcelo tentou beijar o Ivan, o garoto mais novo, que fugiu assustado, mas sendo capturado em seguida e derrubado no chão. Atordoado, Altair viu seu irmão ser abusado sexualmente por Marcelo. Por fim, após o ato, enforcou o menino mais novo, avisando Altair que seu irmão estava dormindo.

Assustado, Altair passou a fazer tudo o que Marcelo queria. Em seguida, o menino foi levado até um posto de gasolina, onde se limpou sob os olhos atentos de Marcelo. Eles dormiram em um matagal e na manhã seguinte partiram para o Rio de Janeiro. Nos depoimentos após o crime, Marcelo disse que teve piedade do garoto, pois ele teria sido “bonzinho”. Na época, Marcelo trabalhava como distribuidor de panfletos e teria que aparecer no trabalho para “buscar seus papéis”. Assim que se o assassino se distraiu, Altair aproveitou e fugiu.

Quando chegou em casa, Altair não revelou que seu irmão estava morto. Ele só revelou o crime para uma das irmãs mais velhas, dias depois. Marcelo não procurou por Altair, nem escondeu o corpo de Ivan. Porém, ele voltou ao local do crime dias depois, para modificar a posição do cadáver. Segundo consta, as mãos do garoto estavam dentro da bermuda, o que afastou a tese inicial de afogamento, sendo constatado o abuso sexual no IML.

Por fim, a mãe de Ivan identificou o corpo no IML. Depois disso, Altair levou os policiais até o trabalho de Marcelo. O assassino confessou o crime imediatamente, não demonstrando surpresa.

Julgamento e sentença

Na delegacia, Marcelo caçoou da lentidão dos policiais para encontrá-lo. Lá, ele confessou ser o responsável pela morte de 14 crianças entre 6 e 13 anos. Todos os crimes aconteceram num período de oito meses, sendo que o primeiro foi em abril de 1991. A primeira vítima de Marcelo foi um menino que vendia doces na avenida. Sua vida foi brutalmente interrompida após o convite de Marcelo para um ritual religioso. No matagal, o homem abusou sexualmente da criança e a asfixiou.

Marcelo durante as investigações. Crédito: Reprodução

Foi a segunda vítima de Marcelo que o rendeu o apelido de Vampiro de Niterói. Tudo surgiu dos relatos que saíram da delegacia após o homem confessar como assassinou Anderson Gomes Goulart, de apenas 11 anos. Marcelo abriu a cabeça do menino com uma pedra, bebendo mais tarde o sangue que escorria.

Marcelo confessou todos os crimes sem apresentar nenhum sinal de remorso. Desde então, a justiça determinou que ele não deveria ser julgado por eles. Isso porque o homem apresentava claros sinais de deficiência mental e psicopatologias. Com isso, o assassino foi encaminhado para instituições psiquiátricas que o avaliam de 3 em 3 anos, para identificar quando ele poderá passar pelo julgamento.

Hoje, Marcelo permanece preso e sem chances de voltar à sociedade. Tanto a promotoria, quanto o próprio laudo médico do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Henrique Roxo, local onde estava internado, afirmaram que ele não possui capacidade para ser julgado.

 

E aí, já conhecia a história do vampiro de Niterói? O que achou? Conta pra gente nos comentários!

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