Caso Preto Amaral: o primeiro serial killer do Brasil

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Vida e história de Preto Amaral

José Augusto do Amaral nasceu em 1871, na cidade de Conquista, interior de Minas Gerais. Filho de escravos, tornou-se livre aos 17 anos, quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. Sendo um homem livre, Preto Amaral, como era conhecido, se alistou voluntariamente à Força Pública do Estado de São Paulo e de outros estados, como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Como o Exército era uma das únicas esperanças de recém-libertos da escravatura, mesmo rodando o país em busca de oportunidades, em todos os casos, Amaral se tornou um desertor. Por conta disso, foi condenado a 7 meses de prisão.

 

Preto Amaral
Preto Amaral, o primeiro serial killer brasileiro – Divulgação / Youtube / Dra. Plague Asylum

 

Após as várias tentativas de ingressar na carreira militar, Amaral tentou se alistar na Marinha. Porém, seu histórico de desistências e três passagens pela polícia – por “vadiagem”, “vagabundagem” e furto – não colaboraram para a sua admissão.

Antes de mais nada, vale ressaltar que o Brasil em que Amaral vivia ainda tinha resquícios intensos da escravidão. Por isso, pessoas pretas tinham dificuldades em conseguir emprego e eram presas, muitas vezes, sem motivo nenhum. Por exemplo, se fosse nos dias atuais, Preto Amaral seria preso apenas pelo furto – e não por “vadiagem” ou “vagabundagem”.

Entrando no mundo do crime

O primeiro crime de Preto Amaral aconteceu em fevereiro de 1926, quando ele tinha aproximadamente 55 anos, na cidade de São Paulo. A vítima tinha 27 anos e se chamava Antônio Sanches. Segundo Amaral, ele encontrou Sanches nos arredores da praça Tiradentes e o convidou para uma conversa num botequim próximo. Após o café, chamou o jovem para assistir a um jogo de futebol e, depois, o matou. A polícia encontrou o corpo de Antônio Sanches na zona norte da cidade, próximo ao aeroporto do Campo de Marte.

José Felippe Carvalho, de 10 anos, foi a segunda vítima de Amaral. Era véspera de Natal e o menino foi atraído pelo seu assassino pelos balões que o mesmo vendia, na região do Canindé. Depois de desaparecer, José foi encontrado quase duas semanas após sua morte, sem os membros superiores.

A terceira e última vez que Preto Amaral cometeu assassinato foi em 1927. O jovem Antônio Lemos tinha 15 anos quando foi convidado por um adulto – até então – desconhecido para um almoço no Mercado Municipal. Depois, pegaram um bonde rumo à Lapa e, desde então, Lemos não foi mais visto, até a polícia encontrar o seu corpo.

Roque Piccili: o maior erro de Preto Amaral

Perambulando pelas ruas de São Paulo, Amaral encontrou o pequeno Roque Piccili, de 9 anos, que engraxava sapatos no Brás. Amaral pediu a ajuda do menino para carregar algumas caixas em troca de dinheiro. Ao anoitecer, o homem levou o pequeno engraxate para debaixo de uma ponte e, lá, o estrangulou e estuprou. Pensando que o menino havia morrido, Amaral foi embora. O que ele não sabia, porém, é que Roque não estava morto – mas sim vivíssimo na delegacia mais próxima, enquanto denunciava o seu agressor.

Não demorou muito para que a polícia encontrasse o homem e o levasse para a delegacia. Lá, ele assumiu não só o último, como todos os crimes que havia cometido. Contando detalhes das histórias, Amaral chocou a todos ao confirmar seu modus operandi: ele seduzia, asfixiava e estuprava o cadáver de suas vítimas. O mais curioso disso tudo, porém, é que mesmo com Amaral na cadeia, a cidade de São Paulo foi o palco de outros assassinatos parecidos, que continuaram acontecendo – e levantando a suspeita de que o homem era, na verdade, inocente.

Após 5 meses em prisão preventiva, o famoso Preto Amaral morreu na cadeia, de tuberculose, frustrando não só a imprensa, que fez uma cobertura minuciosa dos assassinatos, como todos os paulistanos que aguardavam seu linchamento e o chamavam de “monstro negro”, “o diabo preto” e “estrangulador de crianças”.

Preto Amaral: inocentado após 85 anos

Muitos anos após a sua morte, Amaral ainda era motivo de muitas indagações entre os brasileiros. O fato de ter sido preso sem um julgamento, sendo um homem negro num Brasil em que a escravatura ainda era muito presente, fez com que a sua história fosse uma incógnita.

Em 2012, José Augusto do Amaral foi o réu de um júri simulado, realizado por profissionais da área de Direito de USP.  A absolvição ocorreu após o estudo dos inquéritos policiais e dos materiais da imprensa.

Jornal da época noticiando a morte de Preto Amaral / Crédito: Divulgação / Youtube / Dra. Plague Asylum

 

A defesa argumentou que a falta de um julgamento de um homem negro perante uma nação racista abria a possibilidade dele ter sido acusado injustamente, assim como muitas outras pessoas negras foram na época. Foi defendido que Amaral foi vítima de racismo e torturado pelos policiais para admitir a autoria dos crimes.

Além disso, a defesa levantou a questão de que mesmo após a prisão de Amaral, crimes com o mesmo modus operandi continuaram acontecendo na capital paulista. Por fim, após 85 anos da sua morte, com 257 votos a favor e 57 contra, José Augusto do Amaral foi absolvido das acusações de homicídio.

 

E aí, você conhecia a história do primeiro serial killer brasileiro? Achou o final surpreendente? Conta pra gente aqui nos comentários!

 

 

 

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