Quem foi Borba Gato, o bandeirante cuja estátua foi incendiada em São Paulo?

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No último sábado (24), manifestantes atearam fogo na estátua que homenageia o bandeirante Borba Gato, em São Paulo. Localizada na Praça Augusto Tortorelo de Araújo, no bairro de Santo Amaro, na capital paulista, o monumento sempre foi alvo de controversas desde a sua inauguração em 1963.

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Foto: Reprodução/Twitter

Mas quem foi Borba Gato?

Manuel de Borba Gato (1649 – 1718) foi um bandeirante paulista. Durante o Período Colonial, os bandeirantes realizavam expedições para desbravar o interior do país e encontrar riquezas minerais e pedras preciosas. Durante essas missões, eles capturavam e escravizavam indígenas e negros encontrados pelo caminho.

Borba Gato era genro do também bandeirante Fernão Dias Paes Leme – o mesmo da famosa rodovia paulista. Após a morte do sogro, ele seguiu os seus passos em busca de esmeraldas e de ouro no sertão. Foi aí que, em agosto de 1682, foi acusado de matar Dom Rodrigo de Castelo Branco, fidalgo português administrador-geral das Minas.

Pelo crime, o bandeirante fugiu para a região ainda desconhecida do Vale do Rio Doce, onde teria permanecido por cerca de 15 anos. Perto de seu refúgio, estava localizada a Serra de Sabarabuçu, atualmente no município de Sabará, em Minas Gerais. De lá, brotariam as primeiras pepitas de ouro.

Hoje, acredita-se que Borba Gato teria mantido essa descoberta em segredo para não atrair concorrentes ou cobradores de impostos e para obter o perdão real. Em meados de 1700, ele reapareceu nas Minas, para negociar com o governo o arquivamento do seu processo em troca da revelação dos locais onde existiriam as jazidas de ouro.

O Rei de Portugal não apenas anistiou o bandeirante, como também lhe concedeu cargos e honrarias. Logo, ele foi promovido a fígado e guarda-mor das Minas de Caetés. Quando morreu, aos 69 anos de idade, Borba Gato ocupava o cargo de juiz ordinário da vila de Sabará.

Foto: Reprodução/Alesp

Protestos

Atualmente, alguns projetos de lei pedem a retirada de monumentos que homenageiam bandeirantes e outros escravocratas. O assunto, inclusive, é discutido na Câmara dos Vereadores de São Paulo, na Assembleia Legislativa do Estado e na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Em 2016, a estátua de Borba Gato, em São Paulo, recebeu um banho de tinta. Na época, o Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera, também foi atacado pelos protestos. Pouco tempo depois, a prefeitura realizou a limpeza e a restauração das obras.

Agora, no último sábado, a obra assinada por Júlio Guerra foi incendiada por manifestantes. Não houve feridos, e uma pessoa foi detida no dia seguinte. Um grupo intitulado Revolução Periférica assumiu a autoria das chamas. A manifestação acendeu os debates sobre a romantização e o heroísmo em torno de algumas figuras históricas.

Fonte: Laurentino Gomes

 

 

 

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