Entenda tudo o que aconteceu no Caso Lázaro

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Na última segunda-feira (28), as buscas pelo assassino Lázaro Barbosa de Souza, de 32 anos, chegaram ao fim. O suspeito de matar uma família em Ceilândia, no Distrito Federal, no ínicio deste mês, foi morto após ser preso em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do DF. Uma força-tarefa com mais de 270 policiais procurava o criminoso há 20 dias.

Foto: Reprodução

Os policiais dizem ter atirado 125 vezes durante a ação para prender Lázaro, que teria sido atingido com pelo menos 38 disparos. Ele foi socorrido ainda com vida, mas chegou morto ao Hospital Municipal Bom Jesus.

Segundo o secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, Lázaro Barbosa foi encontrado com R$ 4,4 mil no bolso, além de itens como armas, comidas e remédio – o que, para Miranda, reforça a ideia de que ele estaria recebendo alguma ajuda.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM) informou que o criminoso foi encontrado em uma mata a cerca de 4 km da casa da ex-sogra, em Águas Lindas. A polícia estava monitorando Lázaro, mas também recebeu denúncias de moradores da região.

A ex-mulher e a sogra de Lázaro Barbosa foram levadas à Delegacia Regional da Polícia Civil para prestar depoimento. Elas disseram que ele teria passado na casa delas e deixado R$ 350 para o filho horas antes de ser morto. As duas também negaram que levavam comida e outros itens para ele durante a fuga no mato.

Relembre tudo o que aconteceu no Caso Lázaro

Foto: Divulgação

9 de junho: O empresário Cláudio Vidal de Oliveira, de 48 anos, e seus filhos, Carlos Eduardo Marques Vidal, 15, e Gustavo Marques Vidal, 21, foram encontrados mortos com tiros e facadas em Ceilândia, no Distrito Federal. A esposa de Vidal, Cleonice Marques, 43, estava desaparecida. A polícia identificou Lázaro Barbosa de Souza como principal suspeito dos homicídios.

10 de junho: Lázaro Barbosa invadiu outra chácara e rendeu a proprietária do local e o caseiro.

11 de junho: O fugitivo roubou um carro em Ceilândia (DF) e seguia em direção à Brasília (DF). Mas, assim que avistou um bloqueio da polícia na rodovia, ele abandonou e incendiou o veículo e fugiu para Cocalzinho (GO).

12 de junho: Lázaro atirou em quatro pessoas, invadiu fazendas e colocou fogo em uma casa ao fugir da polícia. As autoridades descobriram dois esconderijos na mata, e o corpo de Cleonice Vidal foi encontrado perto de um deles.

13 de junho: Lázaro Barbosa de Souza furtou um carro e o abandonou na rodovia dando sequência à fuga para a mata.

14 de junho: Houve uma troca de tiros entre o suspeito e o caseiro de uma chácara em Cocalzinho.

15 de junho: Dois policiais militares foram baleados durante as buscas. Lázaro fez um casal e a filha de reféns.

16 de junho: Lázaro Barbosa foi visto por um morador em uma área rural.

17 de junho: A polícia retomou as buscas em matas da região e mudou a base de operação para Girassol (GO). Houve nova troca de tiros, e secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, disse acreditar que fugitivo estava ferido.

18 de junho: Houve uma denúncia de que criminoso havia sido visto em chiqueiro de chácara. Barreiras em estradas e rodovias foram montadas.

19 de junho: Houve uma grande movimentação de policiais na região de Águas Lindas de Goiás depois que moradores afirmaram terem visto o suspeito pela região. Líderes religiosos denunciaram intolerância por parte dos policiais durante buscas em seus templos.

20 de junho:  Novas buscas ocorrem na zona rural. Cerca de 270 policiais estavam na busca por Lázaro. Um jovem de 23 anos é preso por se passar por policial para participar da força-tarefa. Além disso, um homem relatou à polícia que sua casa havia sido invadida e revirada.

21 de junho:  Uma moradora denunciou que viu um homem parecido com o fugitivo passar por uma propriedade rural. Policiais e bombeiros com cães farejadores acompanharam a mulher para fazer uma verificação na área.

22 de junho: Um carro queimado, um lençol e um serrote foram encontrados em um local onde o criminoso poderia ter se abrigado. Também houve uma troca de tiros entre um caseiro e um suposto invasor.

23 de junho: Um fazendeiro disse que atirou contra um invasor na região de buscas por Lázaro. Buscas pelo fugitivo se concentravam em área de chácaras nas proximidades da BR-070, em Goiás.

24 de junho: Polícia Rodoviária Federal faz barreiras nas estradas em busca do criminoso. Operações policiais contavam com imagens de satélite e drones com visão térmica.

25 de junho: Dois homens foram presos suspeitos de ajudar Lázaro Barbosa de Souza na fuga. Eles foram identificados como o fazendeiro Elmi Caetano Evangelista e o caseiro Alain Reis de Santana. Caseiro é liberado, mas fazendeiro é mantido na prisão.

26 de junho: A polícia descobre perfil falso que Lázaro utilizava para se informar sobre o caso nas redes sociais.

27 de junho: Polícia rastreia celular do fugitivo.

28 de junho: Lázaro Barbosa é morto.

Lázaro Barbosa de Souza era investigado por mais de 30 crimes, cometidos nos estados de Goiás, Bahia e no Distrito Federal. Ele já possuía condenação por homicídio e era procurado por crimes de roubo, estupro e porte ilegal de arma de fogo.

Intolerância religiosa

Objetos de religiões de matriz africana eram divulgados como pertencentes a Lázaro| Foto: Divulgação/Polícia Civil-GO

As buscas por Lázaro Barbosa de Souza trouxeram à tona discussões sobre intolerância religiosa. Durante as operações, diversos veículos de imprensa divulgaram imagens de objetos utilizados em religiões de matriz africana para associar Lázaro ao satanismo.

Líderes de terreiros de candomblé e umbanda de Goiás registraram denúncias de invasão e coação realizadas por policiais da força-tarefa que tentava localizar o criminoso. Além de agressões físicas e verbais, os agentes são acusados de quebrar objetos considerados sagrados.

Dois suspeitos foram presos

Foto: Reprodução/TV Globo

Na última semana, o caso Lázaro tomou outros rumos. No dia 24, o fazendeiro Elmi Caetano Evangelista, de 73 anos, e seu funcionário, Alain Reis de Santana, 33, foram presos, suspeitos de dar abrigo ao fugitivo. Lázaro Barbosa de Souza dormia há pelo menos cinco dias na propriedade.

O caseiro já tem passagem pela polícia por roubo a ônibus. Além da suspeita de auxiliar na fuga do criminoso, os dois também foram acusados de posse ilegal de arma de fogo. No dia seguinte às prisões, Alain Reis de Santana foi liberado na audiência de custódia.

Já Elmi Caetano Evangelista foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público de Goiás, que também pede a investigação do filho do fazendeiro. Nesta quinta-feira (1º), a Polícia Civil indiciou Evangelista. A pena dele pode chegar a até 4 anos de prisão.

Agora, com a morte de Lázaro, a força-tarefa apura se os crimes cometidos por ele têm relações com conflitos fundiários. A polícia de Goiás também está investigando a existência de uma rede criminosa que teria ajudado o assassino a se esconder.

Velório

Na última quarta-feira (30), o corpo de Lázaro Barbosa de Souza foi retirado do Instituto Médico Legal (IML), dois dias após a morte durante confronto com a PM, em Águas Lindas de Goiás. O IML fez uma autópsia para apontar a causa da morte e a quantidade de tiros que o corpo recebeu. O resultado deve ser divulgado em 10 dias.

O velório e o enterro aconteceram nesta quinta-feira (1º) em Cocalzinho de Goiás e foram restritos a familiares. Para evitar represálias, o local e o horário do sepultamento não foram divulgados.

De acordo com uma reportagem divulgada pelo jornal O Globo, a contratação dos serviços da funerária Bom Samaritano, do Distrito Federal, ocorreu de forma anônima por um terceiro.

Fonte: Correio Braziliense , G1, UOL e O Globo

*Matéria atualizada em 1º de julho de 2021.

E aí? Você já estava por dentro de toda a cobertura do caso Lázaro? O que acha sobre o novo rumo das investigações? E sobre o fato de um anônimo ter bancado o enterro? Conta pra gente pelos comentários!

 

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