Robert Downey Jr.: a superação de um dos atores mais bem pagos de Hollywood

Compartilhe

O Homem de Ferro já salvou o mundo diversas vezes. Mas o que poucos sabem é que ele também salvou a vida de Robert Downey Jr. O papel de Tony Stark fez do ator uma das estrelas mais bem pagas de Hollywood. Mas antes disso, as coisas eram bem diferentes. Ele tinha apenas 6 anos quando o pai lhe deu maconha para experimentar, 28 quando foi indicado ao Oscar e 31 quando foi preso pela primeira vez.

Foto: Reprodução

Vício em drogas

Robert Downey Jr. nasceu em Nova York, em 4 de abril de 1965. Filho do cineasta Robert Downey Sr. e da atriz Elsie Downey, o ator não herdou apenas o talento de sua família… “Quando meu pai e eu nos drogávamos juntos, era como se ele tentasse expressar seu amor da única forma que sabia”, disse o astro no livro The New Breed: Actors Coming of Age (1988).

Desde criança, Downey Jr. sempre soube que queria ser ator. Sua estreia em Hollywood foi aos 19 anos no filme “Quando Se Perde a Ilusão” (1984). Durante as gravações, Robert conheceu a também estreante Sarah Jessica Parker, com quem engatou um romance. Os atores namoraram entre 1984 e 1991, mas o romance chegou ao fim por causa do vício em álcool e drogas por parte do namorado.

Na sequência, vieram outros papéis. Mas o ator chamou mesmo a atenção do público quando estrelou o longa “A Última Viagem em Beverly Hills” (1987), no qual interpretava um adolescente viciado em drogas. O que poucos sabiam, porém, é que ele realmente viveria o destino de seu personagem.

Apesar do vício, Downey Jr. continuou atuando. O trabalho lhe rendeu um convite como protagonista do filme Chaplin (1992). A performance de Robert Downey Jr. agradou à crítica, e ele foi indicado ao Oscar naquele ano. O prêmio, no entanto, ficou com Al Pacino por “Perfume de Mulher”.

Pouco tempo depois, Robert conheceu a cantora Deborah Falconer. Os dois se casaram após 42 dias de namoro. Em 1993, nasceu o primeiro filho do casal, Indio. Contudo, nem o amor ou o nascimento do primogênito fizeram com que ele parasse de usar drogas completamente…

Prisão

Foto: Reprodução

Em 1995, Robert Downey Jr. começou a usar heroína. No ano seguinte, viriam as manchetes que o rotulariam como o enésimo viciado de Hollywood. Em um mês, o ator foi preso três vezes por porte de drogas.

Na primeira ocasião, Robert foi submetido a um exame de urina, que acusou a presença de morfina, heroína, cocaína e maconha em seu sangue. A segunda prisão até pareceu cena de um filme: o astro entrou na casa errada e dormiu na cama (vazia) do filho dos vizinhos. Três dias depois, foi detido vagando pelas ruas de Los Angeles drogado.

Cenas de Robert Downey Jr. nos tribunais se tornavam cada vez mais comuns. Na época, ele passou a dividir seu tempo entre os sets de filmagens e os centros de reabilitação. “Todo dia leio o jornal pensando que encontrarei o obituário de Robert”, chegou a dizer sua ex-empresária, Loree Rodkin.

Um ano depois, Downey Jr. faltou a um controle antidrogas e recebeu 113 dias de reclusão. Na cadeia, o ator era perseguido pelos outros presos. Algumas vezes, inclusive, acordou em uma poça de seu próprio sangue. Ele até acabou precisando se submeter a uma cirurgia estética após uma surra.

Em 1999, após não comparecer a outro teste de narcóticos e violar a liberdade condicional, Robert Downey Jr. foi condenado a três anos de prisão. No presídio de Corcoran, o indicado ao Oscar trabalhava 5 dias por semana no refeitório, onde distribuía comida, lavava louça e limpava panelas.

Hollywood não desistiu de Robert Downey Jr.

A verdade é que Hollywood nunca desistiu de Robert Downey Jr. Depois de quase um ano na prisão e de ter passado pelo tratamento para dependência de drogas, ele foi liberado sob a fiança de 5 mil dólares.

Sete dias após ser solto, Downey Jr. conseguiu um papel na série “Ally McBeal: Minha Vida de Solteira”. A aparição do polêmico ator elevou em 11% a audiência do seriado. E seu carisma e seu talento lhe deram um Globo de Ouro.

Mas a alegria duraria pouco… Em novembro de 2000, o ator voltou a ser preso em um hotel com anfetaminas e cocaína. Ainda assim, o risco de voltar para a cadeia não o impediu de continuar trabalhando em Ally McBeal.

A paciência do produtor acabou quando Downey Jr. foi preso novamente em abril de 2001. A polícia o capturou andando descalço por Culver City e encontrou cocaína em seu sangue. Ele foi demitido do seriado e perdeu seu papel em “Os Queridinhos da América”. Para completar, sua esposa, Deborah, o abandonou, levando o filho junto.

Robert Downey Jr. em Ally McBeal. Foto: imdb

Mão amiga

É difícil dizer o que seria de Robert Downey Jr. se não fosse pelo seu amigo Mel Gibson. A amizade entre eles começou em “Air America – Loucos Pelo Perigo” (1990) e dura até os dias de hoje.

É que, por causa do seu vício em drogas e suas constantes idas à prisão, nenhuma companhia de seguros estava disposta a pagar pelos contratos de Robert Downey Jr. nos filmes.

Mel Gibson tirou dinheiro do próprio bolso para que Downey Jr. estrelasse “Crimes de Um Detetive” (2003). Assim, o veterano arcaria com todos os custos caso Robert causasse qualquer interrupção das filmagens. Mas ele não decepcionou o amigo…

Depois do papel, Downey Jr. ganhou um voto de confiança e foi convidado para atuar em “Na Companhia do Medo” (2003), ao lado de Halle Berry. A partir daí, ele não parou mais. Usou todos os fundos recebidos com o filme para pagar suas dívidas e seu plano de saúde.

A mulher que o mudou para sempre

Foto: Reprodução

O filme “Na Companhia do Medo” foi mesmo um divisor de águas para Robert Downey Jr. Nos bastidores, ele conheceu a sua atual esposa, a produtora cinematográfica Susan Levin. O casal veio a se casar dois anos depois e, mais tarde, tiveram dois filhos.

Por Susan, o ator conseguiu deixar de lado o seu hábito destrutivo. O pilates, a filosofia oriental, a meditação e o Kung-fu também foram fundamentais para esse processo, e ele não deixou de frequentar a terapia desde então.

Em 4 de julho de 2003, no Dia da Independência dos Estados Unidos, parou em um restaurante na Costa do Pacífico. Lá, enquanto comia um hambúrguer, decidiu que já havia sofrido o suficiente e jogou todas as suas drogas no mar.

O Homem de Ferro

Foto: Divulgação

Desde 2003, Robert Downey Jr. já emplacou vários papéis de sucesso. Mas nenhum deles marcou mais a sua carreira como Tony Stark, o Homem de Ferro.

Não eram bons tempos para os filmes de super-heróis. “X-Men 3: O Confronto Final”, “Homem-Aranha 3”, “Superman – O Retorno” e “O Incrível Hulk” não fizeram sucesso com o público. Para piorar, quando a Marvel fundou a sua própria produtora de cinema, em 2007, ela não detinha os direitos sobre algumas de suas criações (Homem-Aranha e X-Men).

Pelo sucesso de “Batman Begins”, as pessoas pareciam gostar de super-heróis que usavam suas artimanhas tecnológicas. Assim, o Homem de Ferro parecia certo para a estreia da produtora nas bilheterias. O diretor, Jon Favreau, sugeriu Robert Downey Jr. para o papel. Mas a Marvel queria Tom Cruise…

Felizmente, Favreau conseguiu convencer a empresa. Para ele, Downey Jr. faria pela saga o que Johnny Depp havia feito por Piradas do Caribe. O ator, então, fez um teste e, a partir dali, ficou evidente que ele era perfeito para interpretar Tony Stark. O filme foi um sucesso de bilheteria.

Triunfo

O Homem de Ferro, de fato, marcava a volta de Robert Downey Jr. em Hollywood. Naquele mesmo ano, em 2008, ele recebeu uma indicação ao Oscar por “Trovão Tropical”. No ano seguinte, deu vida ao detetive mais famoso do mundo em “Sherlock Holmes: Jogo de Sombras” (2009).

Tony Stark fez de Downey Jr. uma das estrelas mais bem pagas de Hollywood. Ele recebeu meio milhão de euros (R$ 2,2 milhões) pelo primeiro filme da franquia. Nas duas sequências, acabou ganhando 9 milhões de euros (R$ 40,5 milhões) e 28 milhões de euros (R$ 126 milhões), respectivamente. Depois, o ator faturou 67 milhões de euros (R$ 335 milhões) cinco vezes (Os Vingadores e sua sequência, Capitão América: Guerra Civil, Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato).

Assim como todos os ciclos, Robert Downey Jr. se despediu do Homem de Ferro, em 2019. Com isso, eles nos deixa uma lição: todo mundo pode mudar, basta ter uma segunda chance.

Fonte: El País e Domingo Espetacular

E aí? O que achou sobre a história de superação de Robert Downey Jr.? Conta pra gente pelos comentários!

 

Comentários
Posts Relacionados