Serial killers: Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz

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Febrônio Índio do Brasil acreditava ter uma missão. Por isso, se auto-intitulava o “Filho da Luz”. Assim, ele não só abusava e matava suas vítimas, como também tatuava uma sigla em seus corpos. Febrônio tratava os assassinatos como rituais de purificação.

Fotografia de Febrônio Índio do Brasil. Foto: Wikimedia Commons

Infância e juventude

Febrônio Ferreira de Mattos nasceu em 14 de janeiro de 1895, em São Miguel de Jequitinhonha (atual Jequitinhonha), Minas Gerais. Filho de Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos, ele era o segundo de catorze irmãos.

Seu pai alcoólatra agredia constantemente a mãe e as crianças. Por isso, aos 12 anos, Febrônio decidiu fugir de casa e passou por várias cidades até chegar ao Rio de Janeiro. Na capital fluminense, começou a colecionar uma série de crimes, como fraude, chantagem, suborno e roubo.

Mas foi em 1920, aos 25 anos, que ele teve uma visão que mudaria a sua vida para sempre. Durante uma de suas prisões, na Colônia Correcional de Ilha Grande, no RJ, Febrônio sonhou que uma mulher loira e de cabelos compridos o visitava. Ela teria o batizado de “Filho da Luz” e lhe dado uma missão: purificar os jovens.

Como parte do trabalho, o homem deveria tatuar os garotos com o símbolo DCVXVI, uma representação das palavras Deus, Caridade, Virtude, Santidade, Vida e Ímã da vida. Ainda detido, Febrônio também tatuou a frase “Eis o Filho da Luz” no próprio tórax. A partir disso, ele assumiu o pseudônimo de Febrônio Índio do Brasil.

Crimes

Quando saiu da cadeia, em meados de 1921, Febrônio mudou o nome para Bruno Ferreira Gabina, usando um diploma roubado de um dentista – que nunca mais foi visto. Assim, abriu seu próprio consultório odontológico. Alguns relatos apontam que, de forma sádica, ele chegou a arrancar dentes de alguns pacientes sem necessidade.

No mesmo ano, o criminoso mudou-se para a Bahia e, depois para o Espírito Santo. Lá, exercendo a função de médico, foi responsabilizado pela morte de duas crianças. Perseguido pela polícia, ele resolveu fugir de novo para o Rio de Janeiro.

De volta às terras cariocas, Índio começou a ter novos delírios. Em outubro de 1926, foi preso enquanto dançava pelado no topo do Pão de Açúcar. Nesta época, ele foi internado no Hospital Nacional de Psicopatas, no qual foi diagnosticado com distúrbios mentais. Por não ter condições financeiras, recebeu alta e ficou à solta novamente.

Em janeiro de 1927, Febrônio foi detido mais uma vez e atacou sexualmente dois jovens em sua cela. Um terceiro detento, Djalma Rosa, tentou resistir e acabou espancado. Por falta de provas, a morte foi considerada um acidente, e o assassino foi liberado de novo.

Meses depois, outra alucinação o colocaria de volta atrás das grades. Pintado de amarelo, ele foi flagrado dançando pelado em frente a um garoto amarrado em uma árvore. O episódio, somado ao depoimento de uma testemunha, que presenciou Febrônio cozinhando a cabeça de um defunto, lhe rendeu outra visita ao Hospital Nacional de Psicopatas.

Tatuagens

Foto: Wikimedia Commons

Índio conseguiu fugir do hospício e levou consigo dois meninos de 17 anos. Os adolescentes foram abusados e receberam no peito as tatuagens com a sigla DCVXVI – como mandava a visão. Ainda assim, eles conseguiram escapar da morte e foram soltos por Febrônio.

Mais tarde, o criminoso chegou a ser preso novamente. Desta vez, por tatuar um jovem de 18 anos. O garoto, no entanto, desapareceu, e Índio foi solto outra vez por falta de provas. Em liberdade, ele atacou e tatuou um rapaz de 20 anos, Altamiro José Ribeiro. A vítima até tentou resistir, mas acabou estrangulada com um cipó.

A série de crimes chegou ao fim dois dias depois, quando o criminoso sequestrou um menino de 10 anos, “Jonjoca” Ferreira. A criança foi tatuada, estuprada e morta por Febrônio Índio do Brasil. Ao lado do corpo, no entanto, uma pista foi deixada pelo assassino: um boné, que Febrônio usava no dia em que saiu da cadeia.

O acessório foi reconhecido pelos policiais, e o criminoso foi preso. Ao confessar alguns de seus crimes, ele alegava ter oferecido a vida das vítimas em holocausto a Deus.

Quem fim levou?

Por causa de sua clara inconsistência mental, Febrônio Índio do Brasil foi levado ao Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro. Alguns anos depois, em 1935, ele tentou uma última fuga, mas foi capturado no mesmo dia. Aos 89 anos, em 1984, Febrônio morreu de enfisema pulmonar na instituição.

Fonte: Superinteressante e Aventuras na História

E aí? Já conhecia esse caso? O que achou? Conta pra gente pelos comentários!

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