TikTok: O app da pandemia pode ser perigoso.

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Eu tenho certeza que você já ouviu falar sobre o aplicativo TikTok e se ainda não se tornou um “Tiktoker” pelo menos já assistiu a algum vídeo de lá. Pois é, essa plataforma de interação digital vem tomando uma proporção muito grande no mundo inteiro e já chegou a marca de 3º aplicativo mais baixado no App Store e Google Store, ultrapassando até o Facebook e o Instagram nesse quesito. Os únicos que não perderam o seu “pódio” para essa novidade foram os de mensagem, WhatsApp e Facebook Messenger.

O TikTok que conhecemos hoje na verdade foi originada do Musical.ly, que também era uma plataforma para vídeos curtos, porém ele só permitia que os seus usuários dublassem áudios da sua biblioteca. Esse também chegou a fazer bastante sucesso por aí, principalmente no ano de 2017, quando estourou aqui no Brasil e em vários outros países e foi por conta de toda essa repercussão que uma outra empresa desenvolvedora de apps, que já tinha um outro com funções parecidas com a do Musical.ly comprou a Musical.ly INC e então eles resolveram mesclar as funções dos dois apps e colocar o nome de “TikTok”.

A “rede social da geração Z”, como tem sido chamado, começou a bombar em 2018 e hoje já tomou proporções nunca esperadas. Ele conta com ferramentas de gravação e edição de vídeos básicas e rápidas porém que permitem ao usuário a criação de pequenos vídeos (15 segundos cada) bem criativos em poucos minutos. O diferencial é que, ao contrário do Facebook, ele não indica os conteúdos somente de acordo com algoritmos mas sim de acordo com os seus interesses pessoais, isso quer dizer que se algum usuário postar algo que possa te interessar, esse conteúdo será encaminhado pra você mesmo que ele não seja um influencer ou tenha um grande número de seguidores, o que é totalmente diferente das indicações de outras redes sociais. 

Além de te permitir acessar mais conteúdos isso abre portas para os novos “TikTokers” de plantão, que tem aproveitado essa rede para ganhar fama na internet e com isso muitas pessoas passaram de 0 a 100 no quesito “fama digital”, isso porque se o conteúdo postado é bom ele vai ser compartilhado e quanto maiores as visualizações, mais as marcas se interessam para patrocinar e divulgá-la, tornando pessoas comuns em Digital Influencers em questão de dias.

TiktokersPra quem ainda não está tão inserido nessa rede, tiktoker é como são chamadas as pessoas que produzem vídeo/conteúdo para postar no app.

Porém, em meio a toda essa diversão virtual surgiram suspeitas de que na verdade o programa não é tão seguro quanto parece em relação a privacidade de dados dos seus usuários. Desde o final do ano passado várias teorias começaram a rodar pelo mundo de que a empresa responsável pelo aplicativo em questão, a ByteDance, por ser uma empresa chinesa poderia estar sendo forçada pelo governo da China a compartilhar os dados dos usuários com o mesmo. Essa desconfiança surgiu por vários motivos, mas o principal deles foi a questão do regime totalitário e bem censurado que está vigente na China.

Visto que todo conteúdo que entra e circula no país precisa ser aprovado pelo governo e tudo aquilo que sai dali também, a empresa ByteDance lançou um outro app semelhante ao TikTok, porém com o nome de Douyin que funciona somente no território Chinês e segue toda a regulamentação de censura do governo. A questão é que segundo a lei do país os aplicativos desse tipo que tem origem na China são obrigados a colaborar com o governo e mesmo que o presidente executivo da Byte tenha dito publicamente que o governo nunca solicitou nenhum dado e mesmo se fosse solicitado, a empresa em questão não os compartilharia, a desconfiança permaneceu e fez com que o software fosse banido da Índia, onde tinha o maior número de usuários concentrados.

Alguns analistas afirmam que o mesmo tem acesso a informações as quais qualquer app de interação online comum não deveria, como por exemplo ao seu histórico de download de aplicativos, informações de IP de roteador, hardware do aparelho e até mesmo a localização em tempo real, que atualiza a cada 30 segundos. Além disso eles utilizam um código que se altera automaticamente e com frequência, o que impede que qualquer pessoa sem autorização tenha acesso a todas as informações que são coletadas por ele. Um post no Twitter explica que o Facebook e o Instagram não coletam nem de longe a quantidade de informações colhidas pelo TikTok.

Acesse o link para ver o post (em inglês): https://twitter.com/d1rtydan/status/1277081198624337920?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1278204068175818752%7Ctwgr%5E&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.uol.com.br%2Ftilt%2Fnoticias%2Fredacao%2F2020%2F07%2F21%2Fespiao-da-china-por-que-estao-dizendo-que-voce-deveria-apagar-o-tiktok.htm

Outro motivo para a suspeita é que no final do ano passado um vídeo onde a TikToker Feroza Aziz, abordou o assunto de violação dos direitos humanos na China começou a circular no app, porém o vídeo foi excluído da rede e Feroza teve sua conta bloqueada pelo próprio Tiktok assim que o vídeo viralizou. Considerando que em setembro de 2019 o jornal The Guardian publicou que existe uma orientação para os moderadores do aplicativo não deixarem circular conteúdos que podem desagradar o governo chinês, muitos entenderam que os responsáveis pela plataforma estavam diretamente ligados com as autoridades do país e poderiam a qualquer momento apoiá-los e compartilhar dados. Posteriormente eles publicaram um relatório de transparência para explicar o bloqueio da conta e a exclusão do vídeo e segundo eles, foram recebidos mais 200 pedidos para a exclusão do conteúdo e eles vieram em grande parte dos Estados Unidos e da Índia, mas nenhum da China. Além disso também alegaram que essa regra não faz mais parte do código da empresa.

AnonymousNo começo desse mês, o Anonymous publicou no seu Twitter um pedido para todos desinstalarem o TikTok pois se trata de um método de espionagem da China. Além disso, Donald Trump e autoridades dos EUA também consideram banir o app do país, mas enquanto isso ainda não acontece, eles proibiram que os soldados do exército tenham conta na plataforma para evitar vazamento de informações sigilosas.

Eai, ta disposto a correr esse risco ou já vai desinstalar o app agoraaa?

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